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Não se deixe enganar pelos primeiros cinco minutos: La La Land não se trata de um filme sobre Tracy Turnblad e Link Larkin, prometo. O novo filme do diretor Damien Chazelle, de Whiplash, segue Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling), dois artistas – ela atriz, ele músico – em busca da grande chance em Hollywood. Enquanto Mia tenta a sorte em testes sem fim em estúdios, Sebastian sonha com o dia em que abrirá um clube de Jazz capaz de ressuscitar o ritmo em declínio enquanto ganha o pão como pianista em restaurantes medíocres.

A química de Stone e Gosling é palpável. Juntos, fazem muito do pouco. La La Land não é um filme de personagens e não tem essa ambição. O casal de protagonistas lapida dois papéis rasos e os transforma em adoráveis representações genéricas de qualidade pouco vista em grandes filmes recentes. Stone é irretocável. Quando em tela, não há como desviar o olhar. A atriz faz dos momentos amenos o alívio cômico necessário para entregar o espectador de bandeja para os pontos mais tensos, que domina com tanto talento quanto os anteriores. É tiro certo.

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aquarius

Uma saída de esgoto divide uma cidade. Os dejetos dos indivíduos marcam a barreira entre os que muito tem e os que nada tem. Emblemático como quase todos os detalhes talhados por Kleber Mendonça Filho em Aquarius, filme que vem consagrar de vez o diretor do grande O Som Ao Redor. É do pôster do clássico Barry Lyndon, de Stanley Kubrick, na parede do apartamento da protagonista Clara (Sonia Braga), até a forma como esta passa os dedos pelos cabelos compridos, símbolo de uma luta passada que não pode – e não quer – esquecer que o diretor apara ponta a ponta os fios que compõem o filme.

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A vida de um casal é virada de cabeça pra baixo com a descoberta de um câncer terminal. Temos aí meia dúzia de blockbusters americanos que vêm à ponta da língua em menos de dois minutos. Amor Por Direito, no entanto, caminha por outra via.

Laurel (Julianne Mooree Stacie (Ellen Page) se conhecem em uma partida de vôlei a quilômetros da cidade onde mora a primeira. Isso porque Laurel é detetive de polícia e não vê como uma opção assumir-se lésbica para o conjunto de seus colegas declaradamente homofóbicos. Após conhecer Stacie, a detetive vai – aos poucos – vivendo uma vida longe dos esconderijos que criara pra si mesma.

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O Regresso, ou O Calvário Do Mais Azarado Dos Caçadores Americanos, novo filme de Alejandro Iñárritu baseado no livro de Michael Punke, é a narrativa visual da saga do caçador Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), que percorre as geladas florestas dos Estados Unidos em busca de vingança. O caçador, deixado à beira da morte pelos companheiros de expedição, precisa lutar contra as limitações do corpo dilacerado por um urso selvagem e os obstáculos impostos pela natureza, numa espécie de mistura entre Into The Wild e Os Oito Odiados.

As redes sociais adotaram DiCaprio e reivindicam a estatueta do ator como se esta fosse a maior injustiça já cometida pela Academia. Eventos no Facebook combinam um encontro na Avenida Atlântica caso o americano leve o Oscar este ano. Uma comoção internacional de proporções inéditas. Pena que essa mobilização se dê justo no ano em que DiCaprio apresenta a mais medíocre de suas performances recentes. Não me entenda mal, Leo é notável. Faz com que torçamos por longos silêncios melancólicos em um blockbuster hollywoodiano, mas, o que apresenta aqui não chega aos pés do que vimos em O Lobo de Wall Street (papel que também lhe rendeu uma indicação) ou Django Livre. Se levar, não é injusto, é somente o carimbo da Academia ao final da página de um atestado antigo de que premia atores certos pelos papéis errados.

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