Robert Downey Jr

“O Juiz”

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Susan Downey deixou o posto de Co-Presidente da Dark Castle Entertainment e VP Executiva de Produção na Silver Pictures para trabalhar mais perto do marido, Robert Downey Jr. Juntos, fundaram a Team Downey, produtora que lança agora o primeiro filme, O Juiz, drama que procura retomar a glória dos saudosos filmes de tribunal.

A trama segue a relação conturbada entre o advogado de sucesso Hank Palmer (Robert Downey Jr.), e seu pai, Joseph Palmer (Robert Duvall), o prestigiado juiz de uma cidadezinha de interior nos Estados Unidos. Quando a matriarca dos Palmer morre, o filho distante retorna à pequena cidade natal e tem de enfrentar os antigos conflitos familiares. O que era pra ser uma breve estadia se estende quando o juiz é acusado em um complicado caso de assassinato, e vê no filho a única chance de absolvição.

Nos cartazes de divulgação, O Juiz é pintado como o típico filme de tribunal, queridinho dos americanos em tempos passados. Porém, ao sentarmos na poltrona do cinema, logo percebemos que estamos diante de uma mescla de vários subgêneros: o drama familiar, o filho pródigo, e a caricatura do perfil americano de sucesso.

Esculpido em busca de algumas nomeações para o Oscar 2015, a trama tem nas atuações seu grande mérito. O Team Downey acertou em cheio ao escalar Robert Duvall no papel do rigoroso Juiz Palmer. O ganhador do Oscar por A Força do Carinho entrega uma atuação digna de uma sétima indicação ao prêmio. Duvall alcança o espectador ao retratar o processo de degradação física e mental daquele que um dia possuiu uma cidade inteira em suas mãos. O austero Juiz Palmer sai das bancadas para uma banheira, imundo, vencido, em uma batalha que vai muito além dos tribunais.

Robert Downey Jr. é… Robert Downey Jr. O ator vem se especializando há algum tempo em um tipo pré-moldado de personagem. E funciona. O espectador espera da estrela de Hollywood uma atuação recheada de ironias, piadas sarcásticas e humor ácido, e é isso o que ele entrega, mais uma vez. Em uma versão ligeiramente mais sensível de Tony Stark, Downey mostra uma química certeira com Duvall em tela. As cenas dos dois são de longe as melhores do filme. 

O restante do elenco completa um time muito bem escolhido. Vera Farmiga, na pele de um amor antigo de Hank, é um dos personagens mais gostosos de assistir. Vincent D’Onofrio e Jeremy Strong, os irmãos do advogado, formam uma dupla cativante, em papéis essenciais para uma compreensão total dos dilemas do protagonista. Billy Bob Thornton até tenta, mas não encontra o espaço necessário para se destacar em meio ao conjunto.

O roteiro oscila entre clichês, passagens cômicas e momentos de carga dramática, sem nunca realmente fazer com que o espectador se remexa na cadeira. Sem sair da zona de conforto, O Juiz nos deixa com aquele gostinho de já vi em algum lugar. A estória, vai facilmente cair em lugar comum na nossa memória, mas o trabalho de Duvall, esse vai ser difícil de esquecer.  

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“Chef”

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Jon Favreau construiu uma bela carreira ao longo dos últimos anos. A frente do sucesso estrondoso “Homem de Ferro”, o ator/diretor/roteirista/produtor, colocou seu nome sob os holofotes de Hollywood. Em “Chef”, Favreau deixa de lado os grandes blockbusters e se aventura em uma comédia leve e intimista. A aposta estreou no Festival de Tribeca, e teve uma das melhores bilheterias para filmes independentes.

Quando um famoso crítico gastronômico (Oliver Platt) decide visitar o Riva, restaurante onde trabalha o chef Carl Casper (Jon Favreau) a equipe da cozinha investe em um menu diferente para agradar o escritor. No entanto, Riva (Dustin Hoffman), o dono do restaurante, corta as asas do chef e demanda que o menu seja o tradicional be-a-bá do local. A visita do crítico acaba em desastre com um texto detonando a falta de criatividade do menu e o estado de conforto de Casper.

Ao tentar responder o crítico, Carl acaba se tornando um viral na internet. O chef perde o emprego, o restaurante, e o equilíbrio. É então que sua ex-mulher, Inez (Sofía Vergara), o convida a acompanha-la em uma viagem a Miami com o filho do casal, Percy (Emjay Anthony). Inez crê que, ao voltar para a cidade onde começou a carreira, Casper possa encontrar uma maneira de seguir em frente.

Durante a viagem, Carl é exposto à cultura cubana, de presença forte na cidade. Não só a comida, como a música, tornam-se grandes influências para o chef (e para o filme em geral), que decide aceitar a proposta antiga de Inez: abrir um food truck. Surge então o El Jefe, trailer que serve fast food de comida cubana.

A partir daí o filme torna-se um road movie. Carl, Martin (John Leguizamo) – parceiro de longa data do chef – e Percy levam o trailer de cidade a cidade e veem o negócio se tornar um sucesso rapidamente.

É na estrada que os problemas de Casper se resolvem, como manda p ABC de um road movie. O pai ausente aprende a conhecer melhor o filho, o homem que perdeu a mulher tenta reacender o que havia no relacionamento, e o profissional frustrado se encontra. Clichê, verdade, mas não machuca ninguém.

Favreau montou um time de craques no elenco. Dustin Hoffman, Sofia Vergara, Scarlett Johansson e Olver Platt têm papéis pequenos, mas de grande contribuição para a estória. Fechando o time, Robert Downey Jr. aparece como o ex-marido de Inez, Marvin, personagem que traz à tela um pouco do sarcasmo cômico de Tony Stark.

Sem grandes malabarismos técnicos, o filme ganha na simplicidade. Uma fotografia que se divide em dois momentos: antes e depois do El Jefe. Tons escuros quando o chef está preso em um emprego que lhe bloqueia, e tons claros quando assume as rédeas do trailer. A trilha sonora é excelente, o toque latino é uma escolha certeira. A câmera, quase sempre fechada nos pratos montados por Casper, dá água na boca de quem vê.

“Chef” é leve, tranquilo, um filme que sabe a que veio e o lugar que deve ocupar. Sem grandes pretensões. Favreau oferece um prato cheio ao espectador, que me perdoem o trocadilho. É filme pra assistir no sofá, com a família ou os amigos, e não se torna menor por isso. Que “Chef” não é pra cardápio de restaurante fino, todos concordamos, mas é um belo prato de fast food.