qual era mesmo?

Quando Te Conheci

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  • Ano de Lançamento: 2016
  • País: Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título Original: Equals
  • Diretor: Drake Doremus
  • Avaliação: Qual era mesmo?
  • Disponível na Netflix

Em um futuro distópico, sentir é considerado uma doença. Todas as emoções de caráter humano foram reprimidas por uma série de medicamentos e modificações genéticas feitas aos habitantes de um mundo pós-guerra. A grande maioria da população do planeta foi devastada, deixando para trás somente um pedaço de terra povoado por quase robôs. Aqueles que começam a apresentar reações emocionais são diagnosticados com uma doença de nome S.O.S. e obrigados a tomar inibidores. O destino final dos doentes é a internação em uma clínica de tratamento cuja última fase é a execução. Muitos, no entanto, se suicidam antes mesmo de serem internados. Nessa sociedade futurística, ver alguém se jogar pela janela antes das dez da manhã é recebido sem o menor pingo de empatia.

Ao perceber que apresenta sintomas, Silas (Nicholas Hoult) decide ir até o ‘posto de saúde’ mais próximo e iniciar o tratamento. Sua rotina se torna mais complicada ao perceber que os sentimentos que possui pela colega de trabalho, Nia (Kristen Stewart), são recíprocos. Juntos, descobrem os prazeres de se apaixonar, experimentam o toque, um entrelaçar de dedos e olhares pelos corredores até iniciarem, de fato, os encontros escondidos que se tornam rotina para os dois.

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(Festival do Rio 2015) Dora Ou As Neuroses Sexuais De Nossos Pais

  • Ano de Lançamento: 2015
  • País: Alemanha
  • Língua: Alemão
  • Título Original: Dora oder Die sexuellen Neurosen unserer Eltern
  • Diretor: Stina Werenfels
  • Avaliação: Qual era mesmo?

Ao atingir a maioridade, Dora (Victoria Schulz) começa a experimentar a sensação dos primeiros desejos sexuais. Essa manifestação um pouco tardia se deve ao fato de Dora ser portadora de deficiência mental e estar – pela primeira vez na vida – livre das algemas dos comprimidos, cortados pela mãe (Jenny Schilylogo após o aniversário da menina.

Ao flagrar os pais na cama, Dora é apresentada pela primeira vez ao conceito de sexo, ou “pipi na pepeca”, eufemismo concebido pela menina. A partir daí, a moça desenvolve uma certa obsessão pelo assunto, correndo aos prantos ao perceber que os colegas mais próximos namoram, mas ela não; masturbando-se na banheira em frente à mãe e tentando beijar o pai.

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Boa Sorte

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  • Ano de Lançamento: 2014
  • País: Brasil
  • Língua: Português
  • Título Original: “Boa Sorte”
  • Diretor:  Carolina Jabor
  • Avaliação: Qual era mesmo?

A proposta de Boa Sorte, primeiro longa de ficção da diretora Carolina Jabor, é interessante: o relacionamento entre dois pacientes em uma clínica de reabilitação. Judite, na casa dos trinta, HIV positiva, já fez uso de todos os tipos de droga no catálogo; João, aos dezessete, é viciado em uma mistura de calmante e Fanta laranja.

Baseado em um conto de Jorge Furtado, o filme acompanha de perto a paixão entre os dois pacientes. Enquanto Judite (Deborah Secco) se despede da vida, João (João Pedro Zappa) começa a entendê-la. Antes invisível (uma metáfora bastante explorada durante a trama) para a família e amigos, o garoto encontra na colega de internação a atenção que lhe fora negada. A intensidade da relação é atenuada pela realidade do confinamento em que vivem e as limitações que lhe são impostas.  O casal passeia pelos corredores melancólicos, tem longas conversas à beira de uma piscina imunda e observa as famílias caminharem pelo jardim nos dias de visita.

Déborah Secco mergulhou de cabeça na experiência. No processo de preparação, perdeu mais de dez quilos. Valeu a pena. A atriz tem uma das melhores performances de sua carreira na pele de Judite. Crível, Secco se despe de pudores (literalmente) para dar vida a uma personagem desafiadora, quiçá ainda mais complicada de se construir em tela do que a garota de programa Bruna Surfistinha, papel no sucesso homônimo de 2011.  

João Pedro Zappa deixa a desejar. No mar de possibilidades oferecidas por um personagem como João, o ator se manteve em uma linha constante, sem grandes oscilações. Nos momentos mais tensos, a atuação é exagerada. O protagonista foi ofuscado pelo excelente Pablo Sanábio, que interpreta Felipe, um dos residentes da clínica. Felipe carrega a carga cômica do filme e o faz com maestria. Sempre que aparece em tela, entretém o espectador com a dose certa de carisma e talento, coisa de quem sabe bem o que faz. Pena que desaparece por grande parte do filme.

Boa Sorte tem boas pretensões, e poderia ter dado certo se não fosse a terceira parte. O início promete algo que a trama não cumpre, pois se desvia da atmosfera dos primeiros momentos ao mergulhar em longos diálogos, clichês e explicações demais. A boa reflexão é diluída pelo roteiro mal trabalhado, que caminha pra um desfecho desastroso, comprometendo o projeto inteiro. 

A narrativa poderia ter se concentrado mais na linguagem visual do que verbal. Algumas das cenas são lindas, como o momento em que os pacientes dançam pelos corredores da clínica, uma das cenas mais bonitas que assisti esse ano. Porém, a trama é incapaz de manter esse nível, derrubada por comos, quandos e porquês desnecessários.

Entre mortos e feridos, salvam-se alguns. Boa Sorte é uma faísca, que nos faz pensar no potencial do cinema brasileiro atual como um todo. É o primeiro passo para um caminho promissor. Talvez precise seguir a protagonista e se despir, perceber que menos é mais. E que venha o próximo trabalho de Jabor, a quem eu desejo toda a sorte. 

“A Recompensa”

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  • Ano de lançamento: 2013
  • País: Reino Unido
  • Língua: Inglês
  • Título original: “Dom Hemingway”
  • Diretor: Richard Shepard
  • Avaliação: Qual era mesmo?

“Dom Hemingway” chega ao Brasil como “A Recompensa”. Uma pena. O longa, escrito e dirigido por Richard Shepard, não poderia perder seu título original. O filme conta a história de Dom Hemingway (Jude Law), excêntrico pilantra que passou doze anos preso por escolher não delatar um poderoso mafioso russo.

Ao sair da prisão após longos doze anos, Dom Hemingway se vê fora de forma, não tão ágil quanto nos anos de ouro, viúvo de uma esposa vítima de câncer e desprezado pela filha única. O único consolo do trapaceiro é a recompensa que espera de Mr. Fontaine (Demian Bichir), chefe da máfia para quem trabalhava e responsável pelos anos que passou na cadeia.

Ao lado do melhor amigo e parceiro, Dickie (Richard E. Grant), Dom vai à França, rumo à mansão do antigo chefe, pra buscar o dinheiro que lhe foi prometido. É aí que tem início seu festival de azares. Uma crise emocional, um acidente de carro e um furto infeliz. Desolado, Dom retorna à Londres natal, disposto a encontrar uma maneira de fazer as pazes com a filha que não vê desde que foi preso.

“A Recompensa” é divertido, mas longe de ser brilhante. O roteiro tenta construir um circo à altura do personagem principal, mas acaba por entregar um pout-pourri de situações mirabolantes e por muitas vezes mal resolvidas. Quando o filme parece assumir um caminho, se desvia rapidamente para o próximo conflito, deixando o anterior inconcluso. Shepard escorrega também em certas escolhas de direção, como a divisão do filme em capítulos, opção curiosa e que não cai muito bem à trama.  

Ainda que falho, o filme ganha pela sensacional atuação de Jude Law. A primeira cena, um monólogo de mais de três minutos sobre a perfeição do próprio pênis, é o aperitivo ideal para um cardápio completo de bizarrices acerca do protagonista. Se em “Alfie” outro filme em que interpreta o personagem-título, Law é um galã sedutor e envolvente, em “A Recompensa” o ator se transveste por inteiro, entregando ao espectador um esdrúxulo canastrão, orgulhoso não só da genitália, mas da calvície aparente e da barriguinha saliente que ostenta. Ao lado de Law está um ótimo Richard E. Grant. Coeso, o ator contrabalança a extravagância de Hemingway na pele do racional (na medida do possível) Dickie.

“A Recompensa” é o tipo de filme que não machuca ninguém, bom pra se assistir em uma sexta-feira com amigos. Construído por uma série de itens com gosto de “já vi antes”, a trama não vai muito além do arroz com feijão cinematográfico. Apesar do roteiro fraco e da direção duvidosa, Dom Hemingway acaba por nos entregar enfim, uma recompensa: Jude Law. Não posso reclamar.