pra recomendar aos amigos

Uma Família de Dois

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Em um deque de resort, em um dia ensolarado típico do verão no Sul da França, Samuel (Omar Syse vê sozinho com um bebê de três meses deixado por uma moça com quem havia passado uma noite da qual mal se lembrava. Com o intuito de buscar a mãe do bebê, Samuel deixa para trás a vida de festas e mulheres que tinha na França e segue rumo a Londres. Sem sucesso, o pai passa a criar a menina Gloria (Gloria Colston) em terras Londrinas. É esta a trama central de Uma Família de Dois, filme francês dirigido por Hugo Gélin.

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Trainspotting 2

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A juventude é desperdiçada nos jovens, já dizia o ditado. Quanto mais jovens, mais temos a impressão de que nossos atos não terão consequências a serem sentidas pelas versões mais velhas de nós mesmos, uma vez que estas são sombras pairando ao longe, onde os olhos ainda não podem enxergar. Acreditamos que temos todo o tempo do mundo para fazer as escolhas mais idiotas ao nosso alcance, viver enquanto somos jovens, como diz um outro ditado. Trainspotting, de Danny Boyle, é uma obra prima quando se pensa no retrato da juventude. Pelas ruas de Edimburgo, amigos de infância picam as veias saltadas com seringas entupidas de heroína de qualidade duvidosa. Levados pela adrenalina, cometem pequenos delitos, sempre em busca de juntar mais uns trocados e – consequentemente – voltar ao quarto sujo onde encontram suas agulhas.

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Divertida Mente

Dos questionamentos mais complexos a Pixar apresenta as respostas mais simples. O que forma a nossa personalidade? Memórias especiais que rolam por nosso subconsciente em uma canaleta colorida tornando-se uma ilha mirabolante ao atingirem seu destino final. As memórias que já não mais precisamos são descartadas por uma pragmática equipe de arquivistas e nossos sonhos são encenados por um departamento Broadwayziano cuja estrela principal é um unicórnio de tons arco-íris.

Nos primeiros segundos do filme, somos perguntados sobre a vontade inerente ao ser humano de ler a mente do próximo. Mel Gibson conquistou o mundo dos negócios ao ganhar acesso aos pensamentos das mulheres e o mais poderoso (e o grande líder) dos famosos mutantes da Marvel é justamente um telepata. Em Divertida Mente, temos acesso garantido e ilimitado ao consciente de Riley (Kaitlyn Dias), uma menina de 11 anos, durante sua mudança da gelada Minnesota à cosmopolita São Francisco.

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A Teoria de Tudo

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De desenho animado em Futurama à artista convidado em séries como The Big Bang Theory, Stephen Hawking é uma figura familiarizada com o mundo do entretenimento. A história de um dos maiores nomes da Física já foi tema de documentários, especiais e telefilmes. The Theory of Everything (“A Teoria de Tudo”, no Brasil) é mais um projeto baseado na vida do pensador.

Aluno promissor em Cambridge, Hawking (Eddie Redmayne) descobriu, no auge dos vinte e poucos anos, ser portador de Esclerose Lateral Amiotrófica, uma doença degenerativa. De acordo com os médicos, lhe restavam dois anos de vida. Desafiando todas as estimativas, Stephen não só sobreviveu, como produziu algumas das maiores obras da ciência contemporânea. 

A Teoria de Tudo retrata o cientista através dos anos em que passou casado com Jane Hawking (Felicity Jones), namorada dos tempos de estudante. Jane, que conheceu o teórico antes do diagnóstico, foi parte fundamental do processo de adaptação de Stephen à doença, dividindo-se entre dedicar-se ao marido e criar os filhos.

A ideia de traçar a cinebiografia por meio da relação do casal é interessante. No entanto, o roteiro, baseado em Travelling to Infinity, livro escrito por Jane, enfrenta dificuldades para sair da zona de conforto. Rasa, a abordagem de questões como sexo, gravidez e adultério deixa a desejar, criando a sensação de que a dupla vive em um paraíso inabalável onde qualquer problema é resolvido sem maiores conflitos. 

Quem vai ao cinema em busca de uma análise profunda sobre como o escritor lidou com um corpo que aos poucos lhe deixara pra trás pode se decepcionar. Construído majoritariamente através do ponto de vista de Jane, a trama não explora as lutas internas de Hawking. Ao invés disso, a narração foca na deterioração do relacionamento, nos romances extra-conjugais e no papel da esposa durante a ascensão do marido. 

Se há algo a ressaltar, é Eddie Redmayne. O ator caiu nas graças da crítica. Não sem motivo. A performance do britânico é daquelas pra levar na memória. Sem escorregar um minuto, Redmayne traz à tona um Hawking que não só faz jus ao original, como é infinitamente melhor que qualquer outra representação antes vista do físico. Figurinha confirmada na temporada de premiações.

James Marsh troca a irreverência que o consagrou em O Equilibrista pela segurança de um filme calculado. Tudo é bem trabalhado, da trilha sonora original à edição, porém, o diretor que brinca com a adrenalina em um dos documentários mais inquietantes dos últimos anos, deixa de lado a corda bamba e assume o volante de um utilitário (com air bag incluído).

Enquanto Hawking representa ir além do esperado, A Teoria de Tudo repousa no previsível. Emociona? Sim. Mas, pra quem tinha nas mãos o Universo, é uma pena que o produto final não seja mais do que algumas estrelas.

 

“O Juiz”

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Susan Downey deixou o posto de Co-Presidente da Dark Castle Entertainment e VP Executiva de Produção na Silver Pictures para trabalhar mais perto do marido, Robert Downey Jr. Juntos, fundaram a Team Downey, produtora que lança agora o primeiro filme, O Juiz, drama que procura retomar a glória dos saudosos filmes de tribunal.

A trama segue a relação conturbada entre o advogado de sucesso Hank Palmer (Robert Downey Jr.), e seu pai, Joseph Palmer (Robert Duvall), o prestigiado juiz de uma cidadezinha de interior nos Estados Unidos. Quando a matriarca dos Palmer morre, o filho distante retorna à pequena cidade natal e tem de enfrentar os antigos conflitos familiares. O que era pra ser uma breve estadia se estende quando o juiz é acusado em um complicado caso de assassinato, e vê no filho a única chance de absolvição.

Nos cartazes de divulgação, O Juiz é pintado como o típico filme de tribunal, queridinho dos americanos em tempos passados. Porém, ao sentarmos na poltrona do cinema, logo percebemos que estamos diante de uma mescla de vários subgêneros: o drama familiar, o filho pródigo, e a caricatura do perfil americano de sucesso.

Esculpido em busca de algumas nomeações para o Oscar 2015, a trama tem nas atuações seu grande mérito. O Team Downey acertou em cheio ao escalar Robert Duvall no papel do rigoroso Juiz Palmer. O ganhador do Oscar por A Força do Carinho entrega uma atuação digna de uma sétima indicação ao prêmio. Duvall alcança o espectador ao retratar o processo de degradação física e mental daquele que um dia possuiu uma cidade inteira em suas mãos. O austero Juiz Palmer sai das bancadas para uma banheira, imundo, vencido, em uma batalha que vai muito além dos tribunais.

Robert Downey Jr. é… Robert Downey Jr. O ator vem se especializando há algum tempo em um tipo pré-moldado de personagem. E funciona. O espectador espera da estrela de Hollywood uma atuação recheada de ironias, piadas sarcásticas e humor ácido, e é isso o que ele entrega, mais uma vez. Em uma versão ligeiramente mais sensível de Tony Stark, Downey mostra uma química certeira com Duvall em tela. As cenas dos dois são de longe as melhores do filme. 

O restante do elenco completa um time muito bem escolhido. Vera Farmiga, na pele de um amor antigo de Hank, é um dos personagens mais gostosos de assistir. Vincent D’Onofrio e Jeremy Strong, os irmãos do advogado, formam uma dupla cativante, em papéis essenciais para uma compreensão total dos dilemas do protagonista. Billy Bob Thornton até tenta, mas não encontra o espaço necessário para se destacar em meio ao conjunto.

O roteiro oscila entre clichês, passagens cômicas e momentos de carga dramática, sem nunca realmente fazer com que o espectador se remexa na cadeira. Sem sair da zona de conforto, O Juiz nos deixa com aquele gostinho de já vi em algum lugar. A estória, vai facilmente cair em lugar comum na nossa memória, mas o trabalho de Duvall, esse vai ser difícil de esquecer.