pra parar e refletir

O Regresso

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O Regresso, ou O Calvário Do Mais Azarado Dos Caçadores Americanos, novo filme de Alejandro Iñárritu baseado no livro de Michael Punke, é a narrativa visual da saga do caçador Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), que percorre as geladas florestas dos Estados Unidos em busca de vingança. O caçador, deixado à beira da morte pelos companheiros de expedição, precisa lutar contra as limitações do corpo dilacerado por um urso selvagem e os obstáculos impostos pela natureza, numa espécie de mistura entre Into The Wild e Os Oito Odiados.

As redes sociais adotaram DiCaprio e reivindicam a estatueta do ator como se esta fosse a maior injustiça já cometida pela Academia. Eventos no Facebook combinam um encontro na Avenida Atlântica caso o americano leve o Oscar este ano. Uma comoção internacional de proporções inéditas. Pena que essa mobilização se dê justo no ano em que DiCaprio apresenta a mais medíocre de suas performances recentes. Não me entenda mal, Leo é notável. Faz com que torçamos por longos silêncios melancólicos em um blockbuster hollywoodiano, mas, o que apresenta aqui não chega aos pés do que vimos em O Lobo de Wall Street (papel que também lhe rendeu uma indicação) ou Django Livre. Se levar, não é injusto, é somente o carimbo da Academia ao final da página de um atestado antigo de que premia atores certos pelos papéis errados.

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Garotas

Girlhood film - 2015

Em uma das cenas mais bonitas do cinema em 2014, quatro garotas dançam ao som de Rihanna em um quarto de motel barato iluminado em tons de azul. O rito de passagem marca o momento em que Marieme torna-se Vic, membro de uma gangue feminina de um conjunto habitacional francês.

Ao ser reprovada na escola pela terceira vez seguida, Marieme se vê presa em um beco sem saída. A família de quatro filhos e mãe solteira se amontoa em uma quantidade ínfima de metros quadrados cujo rei, o irmão mais velho, se mantém no trono de maneira abusiva. Quando um trio de garotas da área lhe estende a mão, a jovem se conforma com uma rotina de pequenos delitos em troca da aceitação sem grandes questionamentos.

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(Festival do Rio 2015) Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer

Greg (Thomas Mann) é o típico deslocado do colégio: evita o holofote a qualquer custo, quase se afoga na baixa auto estima e não consegue produzir uma frase coesa quando é colocado frente a frente com uma garota popular. Ele e o melhor amigo, Earl (RJ Cyler), passam os dias em frente a uma tela qualquer assistindo filmes estrangeiros e idolatrando Herzog. Juntos, os dois produzem versões caseiras de grandes clássicos do cinema, hobby que compartilham há tempo suficiente pra possuir uma pequena cinemateca.

Quando a mãe de Greg (Connie Britton) descobre que a filha da vizinha está com leucemia, manda o filho passar um tempo com a moça, boa ação da qual o jovem não pode escapar. Como já era de se esperar, a partir dessa ordem materna Greg, Rachel (Olivia Cooke)– e, de vez em quando, Earl – não se desgrudam mais.

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Locke

Estória. A base mais crua do cinema e a palavra que melhor define Locke. O segundo filme de Steven Knight é minimalista até dizer chega: um ator, um carro e uma estrada. Através de ligações telefônicas o diretor monta uma narrativa quase em tempo real, sem deixar cair a peteca.

Ao virar a chave do carro, Ivan Locke (Tom Hardy) tem a vida perfeita. Um excelente emprego, uma família em casa e o evento mais importante da carreira lhe esperando pela manhã. A estrada que o leva de Birmigham a Londres coloca a prova todas as relações na vida do engenheiro. Cada ligação recebida pelo bluetooth do carro aumenta a tensão do protagonista, ressuscitando receios passados.

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O Despertar de Rita

  • Ano de Lançamento: 1983
  • País: Reino Unido
  • Língua: Inglês
  • Título Original: “Educating Rita”
  • Diretor:  Lewis Gilbert
  • Avaliação: Pra parar e refletir

Quando Rita (Julie Waltersentra no escritório de Frank Bryant (Michael Caine), um dos diálogos mais interessantes do cinema britânico se inicia. A cabelereira de sotaque puxado e confiança aparente instiga a figura clássica do professor-universitário-poeta-fracassado.  A relação que ali se inicia é o motor de O Despertar de Rita, filme de Lewis Gilbert baseado na peça de Willy Russell.

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