pra assistir com pipoca

Amor por Direito

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A vida de um casal é virada de cabeça pra baixo com a descoberta de um câncer terminal. Temos aí meia dúzia de blockbusters americanos que vêm à ponta da língua em menos de dois minutos. Amor Por Direito, no entanto, caminha por outra via.

Laurel (Julianne Mooree Stacie (Ellen Page) se conhecem em uma partida de vôlei a quilômetros da cidade onde mora a primeira. Isso porque Laurel é detetive de polícia e não vê como uma opção assumir-se lésbica para o conjunto de seus colegas declaradamente homofóbicos. Após conhecer Stacie, a detetive vai – aos poucos – vivendo uma vida longe dos esconderijos que criara pra si mesma.

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“Anjos da Lei 2”

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Baseado na série de TV americana homônima responsável por lançar Johnny Depp, “Anjos da Lei” foi um sucesso de crítica e bilheteria, consagrado uma das melhores comédias recentes. Com a missão de segurar a peteca do primeiro filme, “Anjos da Lei 2” chega aos cinemas investindo na mesma fórmula do filme anterior.

Na sequência, os detetives Jenko (Channing Tatum) e Schmidt (Jonah Hillsão encarregados, mais uma vez, de investigar um esquema de tráfico de drogas em um ambiente de estudo. Agora, a dupla é enviada para a faculdade a fim de estudar a distribuição de uma pílula estimulante que se espalhou rapidamente pelo campus.

Desde a primeira cena, o filme investe na auto referência, assumindo as origens da televisão e os clichês de comédia. De uma forma muito bem pensada, a passagem inicial tanto situa o espectador quanto concretiza a forma de humor que molda a trama daí pra frente.

Com o formato de uma comédia romântica, “Anjos da Lei 2” aposta em um retrato ambíguo da relação entre os protagonistas. Schmidt não contém os ciúmes ao ver Jenko com um novo amigo (loiro, alto, bonito e jogador de futebol), o desgaste da convivência leva os dois a sugerir uma “investigação aberta” e as discussões entre a dupla os leva a uma sessão de terapia de casal. São nesses momentos de interação entre os detetives que a comédia ganha força – e o público.

Aliás, os louros colhidos pelo filme são mérito da dupla Jonah Hill e Channing Tatum. Ainda mais afiados do que no filme anterior, os atores mostram um entrosamento invejável em tela. Confortáveis em papéis que aprenderam a dominar, a dupla conquista quem assiste e arranca risadas fáceis da plateia.

O roteiro poderia ter sido mais trabalhado. Um malabarismo de personagens sem fins concretos e estórias secundárias incompletas. Ao priorizar a o relacionamento da dupla principal, o filme ofusca o que acontece ao redor. Algumas cenas são mal concluídas, sem os retoques necessários para torná-las críveis.

Para a sequência, foram mantidos os mesmos diretores do primeiro filme, o ótimo par Phil Lord e Chris Miller, de “Uma Aventura Lego” e “Tá Chovendo Hamburguer”. Os diretores garantem um ritmo rápido e bem estruturado ao filme. A enxurrada de piadas, trocadilhos e mensagens subliminares é por eles muito bem administrada.

Em um ano de lançamentos como “Vizinhos”, “Anjos da Lei 2” concretiza um estilo de comédia cada vez mais presente no cenário. Prato cheio àqueles que entram em uma sala de cinema pra se divertir. O final dá a entender que veremos Jenko e Schmidt juntos novamente. À isso, eu cruzo os dedos.  

“Divergente”

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Sucesso de bilheteria nos Estados Unidos, “Divergente” estreou no Brasil aquecido pelos burburinhos da mídia internacional e pela ansiedade (quase incontrolável) dos fãs da saga de Veronica Roth. A história se passa em um mundo regido por uma espécie de Nova Ordem, onde os seres humanos são divididos em cinco facções projetadas para funcionar em harmonia: Amizade, Audácia, Abnegação, Erudição e Franqueza.

Por mais que sejam naturais de um dos cinco grupos, os jovens de Chicago, cidade onde se passa a trama, têm a chance de escolher o próprio destino ao completar dezesseis anos. Para ajudá-los, há um teste de aptidão, responsável por apontar as afinidades de cada indivíduo e, deste modo, alocá-lo na facção mais apropriada.

Beatrice Prior (Shailene Woodley), filha de um dos líderes da Abnegação, é surpreendida pelos resultados inconclusivos de seu exame, que a define como Divergente, ou seja, sem aptidão exclusiva para uma só facção. Indecisa, a garota decide sair da Abnegação rumo à Audácia, onde adota uma nova identidade, reforçada pela troca de seu nome. A agora Tris é submetida à iniciação de sua nova facção, que põe a prova suas habilidades físicas e mentais para definir se a iniciante tem as características da Audácia: coragem, bravura e determinação. 

Nesta jornada de iniciação, a caloura trava lutas corporais com garotos encrenqueiros e meninas com o dobro de seu tamanho, é posta sob efeito de uma espécie de alucinação para que possa enfrentar – e superar – seus maiores medos, e tem que decidir se o lema da Nova Ordem, “facção acima de sangue”, é algo que vale a pena se seguir.

É impossível evitar comparações com as sagas “Crepúsculo” e “Jogos Vorazes”, mas, quando se trata do mesmo público, como diversificar drasticamente o produto? Todos os elementos que encantam a audiência jovem estão presentes em “Divergente” (e em “Crepúsculo” e “Jogos Vorazes"): um romance aparentemente improvável, uma forte figura feminina, um mocinho charmoso e um conflito a ser resolvido com a ajuda do casal. 

Que os louros sejam reconhecidos. Aliás, o maior deles tem nome e sobrenome: Shailene Woodley. Mesmo que ainda seja cedo para intitulá-la “nova Jennifer Lawrence”, porque a citada não está nem perto de deixar seu trono, a atriz é uma estrela nata. Certeira, não desaponta quem assiste nem por um segundo. Brilha nas cenas mais fortes, onde faz com que se debulhar em lágrimas pareça natural. Uma pena que o resto do elenco não alcance o patamar de Woodley. Theo James é tão desenvolto quanto seu rígido personagem e Kate Winslet, apesar de todo o talento, acaba refém de um papel limitado.

Outro ponto forte de “Divergente”, o roteiro, também o condena. Somos apresentados, sem muitas explicações, a um mundo completamente novo. Um dos maiores vícios de adaptações literárias é ter o sucesso do livro como muleta, supor que quem assiste tenha lido, ou saiba, ao menos, do que se trata. É possível que quem decida assistir o filme por um acaso não se situe muito bem nessa realidade paralela, mas, para os fãs da saga, a trama é um presente. A enxurrada de detalhes não deixa que a narrativa se aprofunde, o que não é lá muito bom, mas oferece muito mais a quem leu. 

A fotografia e a direção de arte poderiam ter brincado com o mar de possibilidades no contraste entre as facções. Da gentileza da Amizade, marcada por cores quentes, ao altruísmo da Abnegação, mergulhada em cinza, a história oferece um leque de sugestões a serem exploradas. Porém, o foco na complexidade de encaixar muito no roteiro, fez com que o visual assumisse o papel de coadjuvante. 

Apesar de ser a variável de um denominador comum, “Divergente” põe algo a mais na mesa. Nos faz espectadores da desconstrução de uma utopia, por mais que tropece no caminho. A saga da protagonista é uma miscelânea de traços comuns a mim e a você. Nem Katniss, nem Bella. Tris Prior é a personificação de um dos maiores medos humanos: o de não pertencer.

 

“Questão de Tempo”

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Responsável por assinar roteiros como “Um Lugar Chamado Notting Hill” e “Quatro Casamentos e um Funeral”, além da direção de filmes como “Simplesmente Amor”, o diretor e roteirista neozelandês Richard Curtis se aventura mais uma vez no gênero da comédia romântica em “Questão de Tempo”.

Tim (Domhnall Gleeson), um desajeitado rapaz sem muita sorte com as garotas, é chamado pelo pai (Bill Nighy) na manhã seguinte a uma frustrada festa de Reveillón. O que parece uma típica conversa entre pai e filho cursa um rumo completamente diferente quando seu pai revela que os homens da família têm a capacidade de viajar no tempo. Tudo o que ele tem de fazer é entrar em um local escuro, cerrar os punhos e imaginar o momento para onde quer voltar.

Após uma reação óbvia de incredulidade, Tim resolve testar seus supostos poderes e voltar à festa da noite passada. Ao abrir os olhos, está de volta ao clima agitado de comemoração, e disposto a consertar os erros que o frustraram no passado. Uma vez convencido, volta ao presente e é questionado por seu pai sobre como pretende usar sua nova habilidade. A resposta é simples e direta: “para conseguir uma garota”. A esta altura, o espectador já sabe que está diante de uma deliciosa comédia romântica a la Curtis.

O pedido do rapaz só é atendido quando, após mudar-se para Londres a fim de trabalhar em uma firma de advocacia, conhece Mary, uma simpática americana que lida com publicação de livros. Com a possibilidade de se redimir dos erros bobos de início de relacionamento, Tim usa suas vantagens para conquistar a americana.

Desde a simpática família de Tim, formada por figuras como a irmã mais nova Kit Kat (Lydia Wilson) e o ingênuo Tio D (Richard Cordery), até seu rabugento companheiro de casa em Londres (Tom Hollander); o filme apresenta personagens deliciosos, que fazem com que o roteiro, que poderia cair no clichê de filme-sessão-da-tarde, siga o caminho oposto, e envolva o espectador durante cada minuto de suas duas horas de duração.

A atuação de Gleeson é a melhor de sua carreira. O público se apaixona instantaneamente por Tim ao vê-lo em sua primeira cena, com uma auto-estima desgastada e um pôster de Amélie Poulain na parede do quarto. Bill Nighy encabeça o excelente elenco, no papel do divertido pai de Tim, responsável por equilibrar a moral da trama e o toque de ironia e humor tipicamente ingleses, construindo alguns dos melhores momentos do filme.

Apesar da temática tantas vezes trabalhada no cinema, “Questão de Tempo” adota uma abordagem natural sobre a viagem temporal. Acompanhamos o divertido protagonista entrar em armários escuros e voltar para momentos como a primeira noite com a garota dos seus sonhos e ajudar seu colega de quarto a vigorar no trabalho. A delícia do filme é descobrir – ao lado de Tim – o valor dos momentos mais ordinários, e atingir com ele a maturidade necessária para se desapegar do “como teria sido”.

“Jogos Vorazes – Em Chamas”

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Uma fila enorme, adolescentes gritando e mães com caras cansadas. Essa era a atmosfera do cinema na estreia de Em Chamas, segundo filme da saga Jogos Vorazes, baseada nos livros de Suzanne Collins. 

Com o privilégio do lançamento exclusivo, o Brasil viu as bilheterias inflarem, lucrando aproximadamente 13 milhões de reais e alcançando 1 milhão de espectadores no primeiro fim de semana. 

Quem assistiu ao primeiro filme, viu que os Jogos Vorazes são uma competição promovida pela Capital da nação de Panem. Dois tributos de cada Distrito são escolhidos para lutar entre si em uma arena até que só um sobreviva e seja consagrado campeão.

A sequência segue Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) e Peeta Mellark (Josh Hutcherson), os tributos do Distrito 12, e vencedores da mais recente edição dos Jogos Vorazes. A dupla rompeu com as regras impostas pela competição, ao recusar ferir um ao outro, obrigando a Capital a declarar ambos campeões. Em Chamas mostra o casal durante a Turnê da Vitória ao redor de Panem.

É nessa Turnê, que Katniss se depara com mudança de atitude nos Distritos, e percebe que é a figura que inspirou a população a rebelar-se contra a opressão da Capital.

Ao ver a situação sair de seu controle, o Presidente Snow (Donald Sutherland), líder da Capital, a procura a fim de controlar as rebeliões. Vendo que o temperamento de Everdeen seria difícil de domar, Snow reúne-se com a organização dos Jogos e – em prol de eliminar a protagonista de seu caminho – declara que durante a edição especial da competição, denominada Massacre Quaternário, os tributos vencedores de edições passadas deverão encarar a arena mais uma vez.

Jennifer Lawrence interpreta com competência uma protagonista que rompe com os clichês da heroína cinematográfica. Uma líder nata, destemida e disposta a sacrificar-se para proteger a família. Em alguns momentos, Lawrence parece mesclar-se com Katniss, tamanha a precisão de seu trabalho. Ao seu lado está Josh Hutcherson, no papel de um mocinho aparentemente frágil, refém de um amor platônico nutrido pela parceira de arena, e projetado para fazer as meninas caírem de amores. Boom. Forma-se a combinação certeira para jogar o filme nas graças da plateia.

Com mais de duas horas de duração, o filme contou com a experiência da dupla de roteiristas Simon Beaufoy (“Quem Quer Ser um Milionário?” e “127 Horas”) e Michael Arndt (“Toy Story” e “Pequena Miss Sunshine”) para não perder o espectador em meio à chuva de detalhes. A fotografia, comandada por Jo Willems (“Sem Limites”), é outro ponto a ser ressaltado. O contraste entre os Distritos, que vivem em estado de miséria, e a Capital, regada pela luxúria, é dado através do paralelo entre tons de cinza e uma explosão de cores.

Em contramão, aqueles que não assistiram ao primeiro filme da saga estão impedidos de assistir à sequência, uma vez que são poucos os momentos em que esta retoma informações contidas no filme anterior.

Quem julga a trama como mais uma saga adolescente água com açúcar, acaba por surpreender-se com o resultado. Com um roteiro bem elaborado, o filme é capaz de trazer debates interessantes à mesa, como a manipulação cometida pelo governo, a glamourificação de realities shows e o conflito de ideais sofrido por aqueles que vivem sob os holofotes.

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