pega a estatueta

Brooklyn

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  • Ano de Lançamento: 2016
  • País: Reino Unido
  • Língua: Inglês
  • Título Original: Brooklyn
  • Diretor: John Crowley
  • Avaliação: Pega a estatueta!

Financiada pela igreja, Eillis (Saoirse Ronandeixa Enniscorthy na Irlanda rumo à Nova Iorque em busca de oportunidades que não encontrara em sua cidade natal. No Brooklyn, bairro adotado pelos irlandeses, a jovem descobre os contratempos de viver como um expatriado, assombrada pela saudade da família e a dificuldade de se adaptar às diferenças culturais.

Não demora muito para que a moça comece a encontrar seu caminho na nova cidade. Estudiosa, leva a sério a oportunidade – também lhe fornecida com a ajuda da Igreja –  de assistir aulas de Contabilidade, e se empenha no emprego em uma loja de departamentos. Tudo entra de vez nos eixos quando Eillis conhece Tony (Emory Cohen), um ítalo-americano por quem se apaixona. (mais…)

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Carol

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Que a intolerância ainda permeia a sociedade contemporânea é inegável. Em tempo de Trumps e Bolsonaros, narrativas que evocam a luta por igualdade e direitos civis são mais do que necessárias. O novo filme do diretor americano Todd Haynes conta a história de Carol (Cate Blanchett), mulher de classe média alta na Nova Iorque dos anos 50 que – durante as festividades natalinas – apaixona-se por Therese (Rooney Mara), uma vendedora de brinquedos.

A protagonista enfrenta um divórcio conturbado, uma briga judiciaria pela guarda da filha e os olhares desconfiados daqueles que ouviram os rumores de violações às condutas de moral da época. Ao decidir fugir com uma moça mais jovem, Carol vai contra não só o futuro ex-marido, mas todo o grupo social ao qual pertence. Therese, por sua vez, despacha o pretendente e o emprego medíocre em uma loja de departamentos para embarcar em uma viagem sem rumo certo ao lado de uma mulher que conhece há poucas semanas.

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(Festival do Rio 2015) The Lobster

Se tem uma palavra que não pode descrever Yorgos Lanthimos é convencional. Conhecido por levar aos limites as mais complicadas convenções sociais, o diretor grego sai do cinema independente da terra Natal rumo à estreia em Hollywood com o não menos controverso The Lobster, uma estória – distorcida – de amor.

Em um futuro distópico não situado cronologicamente, os seres humanos são forçados a viver em casais. Aqueles incapazes de encontrar um parceiro em sociedade, são encaminhados para um hotel onde, com a assistência de um grupo de funcionários e regras extremamente rígidos, convivem com outros solteiros por um determinado tempo à espera de encontrar um par adequado. Para que esses pares se formem, é necessário que duas pessoas compartilhem uma característica em especial, como sangramentos nasais espontâneos ou miopia. Aqueles que, ao final de um período específico não encontrarem um par, são transformados em um animal de sua escolha.

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Ex Machina

  • Ano de Lançamento: 2015
  • País: Reino Unido
  • Língua: Inglês
  • Título Original: “Ex Machina”
  • Diretor: Alex Garland
  • Avaliação: Pega a estatueta

Dos conflitos primordiais da esfera humana planta-se a raiz do artificial. Um tema recorrente no cinema volta à tona pelos olhos do diretor estreante Alex Garland em uma espécie de distopia controlada. Um gênio milionário (Oscar Isaac), um tímido programador (Domhnall Gleeson) e Ava (Alicia Vikander), uma forma evoluída de inteligência artificial no molde de uma bela moça de vinte e poucos anos.

Para criar a mais sintética das invenções, Nathan se isola no meio da natureza quase virgem. Ava caminha pelos jardins internos do refúgio do cientista, o tronco mecânico emoldurado por folhas, galhos e raízes. O anfitrião circula do laboratório de paredes alvas e mais alta tecnologia ao pequeno sobrado construído em meio as montanhas, onde senta pra ver o cair das águas. É o natural versus artificial. Na nossa cara. O tempo todo. Só não vê quem não quer.

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“Garota Exemplar”

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  • Ano de Lançamento: 2014
  • País: Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título Original: “Gone Girl”
  • Diretor:  David Fincher
  • Avaliação: Pega a estatueta!

Baseado em um dos best sellers de maior sucesso do últimos tempos, o suspense “Garota Exemplar” caiu como uma luva nas mãos de David Fincher. Na lista dos filmes mais esperados do ano, chegou aos Estados Unidos como líder absoluto de bilheteria, além de ser um sucesso de crítica em Festivais ao redor do mundo.

Nick (Ben Afflecke Amy (Rosamund PikeDunne formavam o casal perfeito: bonitos, jovens, bem sucedidos, morando em um apartamento confortável em Nova Iorque. Quando a mãe de Nick adoece por conta de um câncer, Amy se vê em um carro rumo a uma nova vida no Missouri, terra natal do marido. A partir daí, o relacionamento dos dois se desgasta. No quinto aniversário de casamento, Nick chega em casa para encontrar um lar revirado e uma esposa desaparecida.

O desaparecimento de Amy comove o país. Logo, a garota exemplar se torna a queridinha da América, razão de vigílias, centros de voluntários e especiais de televisão. Nick se vê perdido no olho do furacão Amy. Catártico, sem aparentar grande entusiasmo com o sumiço da esposa, ele veste a carapuça de marido assassino e se torna o principal suspeito do caso.

O filme é contado sob duas perspectivas. O presente é narrado por Nick, enquanto este tenta equilibrar os malabares da opinião pública e policial para provar sua inocência; o passado é narrado pelo diário de Amy, que leva o espectador através da montanha-russa que é seu casamento, do conto de fadas ao thriller psicológico. O jogo de ele-disse-ela-disse cria a atmosfera de tensão necessária para ambientar o suspense.

Ter Gillian Flynn, autora do livro, como roteirista, é inteligente. As reviravoltas do best seller são mantidas na adaptação, guiadas pelo olhar de Fincher. O diretor une-se mais uma vez ao editor Kirk Baxter, resultando em uma montagem espetacular. O trabalho de edição é primoroso, mesclando as duas narrações sem perder quem assiste, criando uma linha do tempo bastante eficaz.

Ben Affleck é o Nick ideal. O comportamento passivo do marido pede por um ator como Affleck, que mostra pouca (ou nenhuma) expressividade facial, resignado na medida do personagem. O perfeito marido emasculado. Rosamund Pike tem em Amy o papel de sua carreira. A esposa carinhosa, a mulher sensual, a pior inimiga. Todos os papéis dentro de uma mesma personagem interpretados magistralmente. Não me surpreenderia ver o nome de Pike nas grandes premiações em 2015.

Me fez falta a potência visual característica de Fincher. “Garota Exemplar” é milimetricamente calculado, mas sem grandes ousadias. A fotografia acompanha as fases do casal, tons frios para os momentos de distância, tons quentes para o romance aparentemente inabalável. Tudo muito bem feito, mas quando o nome de Fincher está no meio de um projeto, se espera muito mais.

Não existe casal perfeito. O relacionamento de Nick e Amy Dunne é desconstruído em tela para mostrar que nem mesmo um par com tudo pra dar certo escapa dos problemas típicos do matrimônio. David Fincher nos guia através de uma jornada pelos instintos humanos em uma trama que faz com que o espectador se remexa na poltrona. Talvez o que nos inquiete afinal de contas seja saber que, dos insucessos da vida, todos somos reféns.