oscar 2015

Previsões Oscar 2015

É hoje! A premiação mais importante do cinema acontece neste domingo, em Los Angeles. Confira abaixo as previsões do Rafiews para as principais categorias da noite:

Melhor Filme

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A obra-prima de Richard Linklater coroará a temporada de afagos da crítica e prêmios em festivais ao redor do mundo com a estatueta mais importante da noite. Birdman pode surpreender, mas, caso o faça, será uma pena. Um marco na história do cinema, Boyhood é o rei da noite.

Quem leva: Boyhood

Quem deveria levar: Boyhood

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Sniper Americano

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Do cano da arma de Chris Kyle, saíram as balas responsáveis por matar cerca de cento e sessenta pessoas, tornando-o o franco atirador mais letal da história do exército americano. A lenda, como ficou conhecido na força de operações especiais da Marinha dos Estados Unidos, narrou suas memórias no livro Sniper Americano, levado às telas por Clint Eastwood.

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A Teoria de Tudo

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De desenho animado em Futurama à artista convidado em séries como The Big Bang Theory, Stephen Hawking é uma figura familiarizada com o mundo do entretenimento. A história de um dos maiores nomes da Física já foi tema de documentários, especiais e telefilmes. The Theory of Everything (“A Teoria de Tudo”, no Brasil) é mais um projeto baseado na vida do pensador.

Aluno promissor em Cambridge, Hawking (Eddie Redmayne) descobriu, no auge dos vinte e poucos anos, ser portador de Esclerose Lateral Amiotrófica, uma doença degenerativa. De acordo com os médicos, lhe restavam dois anos de vida. Desafiando todas as estimativas, Stephen não só sobreviveu, como produziu algumas das maiores obras da ciência contemporânea. 

A Teoria de Tudo retrata o cientista através dos anos em que passou casado com Jane Hawking (Felicity Jones), namorada dos tempos de estudante. Jane, que conheceu o teórico antes do diagnóstico, foi parte fundamental do processo de adaptação de Stephen à doença, dividindo-se entre dedicar-se ao marido e criar os filhos.

A ideia de traçar a cinebiografia por meio da relação do casal é interessante. No entanto, o roteiro, baseado em Travelling to Infinity, livro escrito por Jane, enfrenta dificuldades para sair da zona de conforto. Rasa, a abordagem de questões como sexo, gravidez e adultério deixa a desejar, criando a sensação de que a dupla vive em um paraíso inabalável onde qualquer problema é resolvido sem maiores conflitos. 

Quem vai ao cinema em busca de uma análise profunda sobre como o escritor lidou com um corpo que aos poucos lhe deixara pra trás pode se decepcionar. Construído majoritariamente através do ponto de vista de Jane, a trama não explora as lutas internas de Hawking. Ao invés disso, a narração foca na deterioração do relacionamento, nos romances extra-conjugais e no papel da esposa durante a ascensão do marido. 

Se há algo a ressaltar, é Eddie Redmayne. O ator caiu nas graças da crítica. Não sem motivo. A performance do britânico é daquelas pra levar na memória. Sem escorregar um minuto, Redmayne traz à tona um Hawking que não só faz jus ao original, como é infinitamente melhor que qualquer outra representação antes vista do físico. Figurinha confirmada na temporada de premiações.

James Marsh troca a irreverência que o consagrou em O Equilibrista pela segurança de um filme calculado. Tudo é bem trabalhado, da trilha sonora original à edição, porém, o diretor que brinca com a adrenalina em um dos documentários mais inquietantes dos últimos anos, deixa de lado a corda bamba e assume o volante de um utilitário (com air bag incluído).

Enquanto Hawking representa ir além do esperado, A Teoria de Tudo repousa no previsível. Emociona? Sim. Mas, pra quem tinha nas mãos o Universo, é uma pena que o produto final não seja mais do que algumas estrelas.

 

Interestelar

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Já com a carruagem andando, Christopher Nolan assumiu o lugar de Steven Spielberg no projeto audacioso que viria a se tornar Interestelar. O diretor de Amnésia e A Origem mexeu alguns pauzinhos em Hollywood para tocar em frente o trabalho já iniciado pelo irmão, o roteirista Jonathan Nolan, e o físico Kip Thorne.

Em um futuro distópico, a humanidade sofre com a escassez de alimentos e o ataque constante de pragas que dizimam as plantações. Do solo antes fértil, só restou a poeira. Os seres humanos voltaram a uma vida baseada na agricultura, vivendo sob a ameaça iminente da fome. É nesse cenário que Cooper (Matthew McConaughey), um antigo piloto, vive com o sogro (John Lithgowe os dois filhos, Murph (Mackenzie Foy, quando nova) e Tom (Timothée Chalamet, quando novo).

O ex-piloto sofre por ver a regressão da humanidade aos tempos de fazenda. A troca do avanço tecnológico por uma cultura de subsistência, criar os filhos em uma realidade onde o homem nega ter pisado na Lua e os pais se contentam em saber que as crianças são educadas somente para cultivar a terra, sem maiores ambições. 

A escassez de alimentos e a infertilidade do solo estabeleceram um prazo de validade para a existência do homem na Terra e – ao encontrar a ultrassecreta sede da NASA – Cooper é apresentado ao projeto da agência espacial para evitar a extinção: uma missão a fim de descobrir um planeta capaz de abrigar a espécie humana.

Nolan é ambicioso. Criou uma trama para instigar comparações ao maior clássico de ficção científica da história do cinema: 2001- Uma Odisseia No Espaço. Por mais que os paralelos sejam inevitáveis, a obra de Kubrick permanece intacta no primeiro lugar do pódio. Nolan tinha em mãos a faca e o queijo, e se perdeu ao explicar demais o que não precisava ser explicado. Enquanto Kubrick provoca a reflexão, Nolan escolhe uma abordagem quase didática, cimentando as brechas necessárias para interpretação da audiência.

Baseado em teorias da física quântica, Interestelar reuniu um time de especialistas que trouxe o espaço às telas de cinema sem uso de chroma key. O buraco negro da trama é ponto inicial de pesquisas acadêmicas, e até o mais leigo dos espectadores compreende o nível de estudo necessário para criar uma obra de tamanhas proporções. A avalanche de termos científicos nos envolve no raciocínio lógico que demanda, mas, joga um balde de água fria ao apelar para um sentimentalismo inconveniente.

Esqueça a gravidade, o espaço temporal, buraco negro, galáxias… É o amor a substância necessária para a conservação da humanidade. “O amor é a única coisa que transcende o tempo e o espaço”. A quintessência dos Nolan. Mágoa familiar, reconciliações em meio a desastres naturais e mensagens de vídeo chorosas. Uma mistura do melodrama de Impacto Profundo com questionamentos de Solaris.  

Bom… Verdade seja dita: Interestelar é um épico. Visualmente inacreditável, o filme é o resultado da ousadia de Christopher Nolan, da consistência da pesquisa, e da liberdade concedida ao diretor pela produtora. A escolha do elenco, capitaneado pelo excelente Matthew McConaughey (que entra com força na corrida pelo Oscar 2015), a trilha sonora impecável de Hans Zimmer e a direção de fotografia de Hoyte Van Hoytema transformam a obra em uma experiência memorável, ainda melhor em iMax.

Como uma nave espacial, Interestelar ganha impulso na decolagem, emplaca na subida e perde força na descida. O desfecho pode ser antecipado pelos atentos e não corresponde, nem de longe, ao frenesi causado nos primeiros minutos da trama. Nolan tergiversa sobre maneiras de salvar a humanidade e se esquece do que salva um filme: um bom roteiro. 

“O Juiz”

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Susan Downey deixou o posto de Co-Presidente da Dark Castle Entertainment e VP Executiva de Produção na Silver Pictures para trabalhar mais perto do marido, Robert Downey Jr. Juntos, fundaram a Team Downey, produtora que lança agora o primeiro filme, O Juiz, drama que procura retomar a glória dos saudosos filmes de tribunal.

A trama segue a relação conturbada entre o advogado de sucesso Hank Palmer (Robert Downey Jr.), e seu pai, Joseph Palmer (Robert Duvall), o prestigiado juiz de uma cidadezinha de interior nos Estados Unidos. Quando a matriarca dos Palmer morre, o filho distante retorna à pequena cidade natal e tem de enfrentar os antigos conflitos familiares. O que era pra ser uma breve estadia se estende quando o juiz é acusado em um complicado caso de assassinato, e vê no filho a única chance de absolvição.

Nos cartazes de divulgação, O Juiz é pintado como o típico filme de tribunal, queridinho dos americanos em tempos passados. Porém, ao sentarmos na poltrona do cinema, logo percebemos que estamos diante de uma mescla de vários subgêneros: o drama familiar, o filho pródigo, e a caricatura do perfil americano de sucesso.

Esculpido em busca de algumas nomeações para o Oscar 2015, a trama tem nas atuações seu grande mérito. O Team Downey acertou em cheio ao escalar Robert Duvall no papel do rigoroso Juiz Palmer. O ganhador do Oscar por A Força do Carinho entrega uma atuação digna de uma sétima indicação ao prêmio. Duvall alcança o espectador ao retratar o processo de degradação física e mental daquele que um dia possuiu uma cidade inteira em suas mãos. O austero Juiz Palmer sai das bancadas para uma banheira, imundo, vencido, em uma batalha que vai muito além dos tribunais.

Robert Downey Jr. é… Robert Downey Jr. O ator vem se especializando há algum tempo em um tipo pré-moldado de personagem. E funciona. O espectador espera da estrela de Hollywood uma atuação recheada de ironias, piadas sarcásticas e humor ácido, e é isso o que ele entrega, mais uma vez. Em uma versão ligeiramente mais sensível de Tony Stark, Downey mostra uma química certeira com Duvall em tela. As cenas dos dois são de longe as melhores do filme. 

O restante do elenco completa um time muito bem escolhido. Vera Farmiga, na pele de um amor antigo de Hank, é um dos personagens mais gostosos de assistir. Vincent D’Onofrio e Jeremy Strong, os irmãos do advogado, formam uma dupla cativante, em papéis essenciais para uma compreensão total dos dilemas do protagonista. Billy Bob Thornton até tenta, mas não encontra o espaço necessário para se destacar em meio ao conjunto.

O roteiro oscila entre clichês, passagens cômicas e momentos de carga dramática, sem nunca realmente fazer com que o espectador se remexa na cadeira. Sem sair da zona de conforto, O Juiz nos deixa com aquele gostinho de já vi em algum lugar. A estória, vai facilmente cair em lugar comum na nossa memória, mas o trabalho de Duvall, esse vai ser difícil de esquecer.