Festival do Rio 2014 – O que assistir?

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O Festival do Rio 2014 começa nesta quarta-feira, 24 de Setembro, e vai até o dia 8 de Outubro. Este ano o Festival traz obras de nomes como David Cronenberg, Richard Linklater, David Lynch e Xavier Dolán.

São quase 360 filmes, de mais de 60 países, organizados em torno de 20 mostras, por 30 salas de cinema do Rio de Janeiro. Abaixo, minhas dicas do que assistir durante as duas semanas de Festival: 

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Filmado ao longo de onze anos com o mesmo elenco, “Boyhood”, de Richard Linklater, conta a história de Mason da infância à adolescência. Ganhador do Prêmio de Melhor Diretor em Berlim, “Boyhood” resulta de uma experiência nunca antes realizada no cinema.

Baseado no best-seller de Gillian Flynn, “Garota Exemplar” é um suspense estrelado por Ben Affleck e dirigido por David Lynch. Aliás, por falar em David, “Mapas Para as Estrelas”, novo filme de David Cronenberg, é boa pedida para o Festival.  O filme rendeu Melhor Atriz em Cannes 2014 para Julianne Moore.

Do britânico Mike Leigh, “Mr. Turner” conta a conturbada trajetória de vida de um dos mais importantes pintores ingleses, J. M. W. Turner. Algumas das obras do pintor estão na National Gallery, em Londres, que é tema central do documentário “National Gallery”, do grande documentarista Frederick Wiseman.

Xavier Dolán assina “Mommy”, a história de uma viúva mãe de um adolescente com déficit de atenção. Win Wenders traz “Catedrais da Cultura – parte 1” e divide a direção com Juliano Ribeiro Salgado em “O Sal da Terra”, documentário sobre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. Eugène Green estará no Festival para apresentar “La Sapienza”.

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Ricardo Darín, astro argentino, estrela o suspense “Sétimo”, de Patxi Amezcua. Shirley MacLaine e Christopher Plummer protagonizam “Elsa & Fred”, um romance de Michael Radford. Michael Fassbender e Domhnall Gleeson estão juntos na simpática comédia dramática “Frank”, de Lenny Abrahamson. Os astros da comédia, Bill Hader e Kristen Wiig, dividem a tela em “The Skeleton Twins”, de Craig Johnson. Adam Driver (uma grande promessa, por sinal) é o protagonista do drama “Corações Famintos”.

Vale a pena checar títulos como: “Metamorfoses”, suspense francês de Christophe Honoré, baseado no poema narrativo Metamorfoses, de Ovidio. “Ida”, drama polonês de Pawel Pawlinowski. “’71”, um drama de época que relata os conflitos da Irlanda do Norte em 1971, de Yann Demange. “Listen Up Philip”, um drama de Alex Ross Perry, estrelado por Elisabeth Moss e Jason Schwartzman. O holandês “Blind”, de Eskil Vogt, tem uma das sinopses mais interessantes do catálogo. 

Para explorar um pouco mais sobre povos, religões e culturas ao redor do mundo, minhas dicas são: “O País de Charlie”, de Rolf de Heer, um drama australiano que conta a história de um aborígene que sonha com a casa própria. “Timbuktu”, filme francês de Abderrahmane Sissako,  debate o extremismo religioso. “Viemos em Paz”, documentário de Hubert Sauper, que registra o momento político do Sudão, maior país do continente africano. “Pescando Sem Redes”, de Cutter Hodierne, retoma o tema da pirataria Somali de “Capitão Philips”.

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Bons títulos pra se apostar em terror são: “Corrente do Mal”, americano de David Robert Mitchell, e “Primavera”, de Justin Benson e Aaron Moorhead. Um suspense interessante, “Carvão Negro”, chinês de Diao Yinan, narra a investigação de um serial killer. O filme de Yinan levou o Urso de Ouro em Berlim 2014.

O Festival traz uma série de promissores documentários como “Altman: um cineasta americano”, de Ron Mann, que conta a história de Robert Altman, um dos grandes nomes do cinema americano; “The New York Review of Books: uma reflexão de 50 anos”, dirigido por Martin Scorsese e David Tedeschi, filme que comemora o aniversário de cinquenta anos da revista New York Review of Books; E o brasileiro “E agora? Lembra-me” de Joaquim Pinto, que acompanha a batalha do diretor contra o HIV e a hepatite C por longos vinte anos.

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A Premiére Brasil, mostra dedicada ao cinema brasileiro, reúne 69 títulos nacionais, entre longas, curtas, ficções e documentários. Irandhir Santos, um dos grandes nomes do cinema atual brasileiro (“O Som ao Redor”, “Tatuagem”), está em “Ausência”, de Chico Teixeira, “Permanência”, de Leonardo Lacca, “Obra”, de Gregorio Graziosi e “A Luneta do Tempo”, um drama musical que marca a estreia de Alceu Valença como diretor de cinema. “Campo de Jogo”, de Eryk Rocha, é um documentário sobre o futebol no bairro de Sampaio. “Favela Gay”, de Rodrigo Felha, mostra como é a vida da comunidade LGBT nas favelas do Rio de Janeiro. 

Este ano, o Festival traz retrospectivas de três grandes diretores do cinema mundial: Michael Cimino, Alfred Hitchcock e Roberto Rossellini. Qualquer escolha de título entre essas mostras não decepciona, mas, vale a pena abrir um espaço no cronograma para “O Franco Atirador”, “Viagem à Itália”, “Blackmail”, “Horas de Desespero” e o épico “O Portal do Paraíso”, um dos maiores fiascos da história do cinema.

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Pra fechar, o Festival traz a versão restaurada de “A Hard Day’s Night: Os Reis do iê iê iê”, de Richard Lester. Comédia musical de 1964 estrelada pelos Beatles, “A Hard Day’s Night” é considerado por muitos um dos melhores filmes de todos os tempos.

“Chef”

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Jon Favreau construiu uma bela carreira ao longo dos últimos anos. A frente do sucesso estrondoso “Homem de Ferro”, o ator/diretor/roteirista/produtor, colocou seu nome sob os holofotes de Hollywood. Em “Chef”, Favreau deixa de lado os grandes blockbusters e se aventura em uma comédia leve e intimista. A aposta estreou no Festival de Tribeca, e teve uma das melhores bilheterias para filmes independentes.

Quando um famoso crítico gastronômico (Oliver Platt) decide visitar o Riva, restaurante onde trabalha o chef Carl Casper (Jon Favreau) a equipe da cozinha investe em um menu diferente para agradar o escritor. No entanto, Riva (Dustin Hoffman), o dono do restaurante, corta as asas do chef e demanda que o menu seja o tradicional be-a-bá do local. A visita do crítico acaba em desastre com um texto detonando a falta de criatividade do menu e o estado de conforto de Casper.

Ao tentar responder o crítico, Carl acaba se tornando um viral na internet. O chef perde o emprego, o restaurante, e o equilíbrio. É então que sua ex-mulher, Inez (Sofía Vergara), o convida a acompanha-la em uma viagem a Miami com o filho do casal, Percy (Emjay Anthony). Inez crê que, ao voltar para a cidade onde começou a carreira, Casper possa encontrar uma maneira de seguir em frente.

Durante a viagem, Carl é exposto à cultura cubana, de presença forte na cidade. Não só a comida, como a música, tornam-se grandes influências para o chef (e para o filme em geral), que decide aceitar a proposta antiga de Inez: abrir um food truck. Surge então o El Jefe, trailer que serve fast food de comida cubana.

A partir daí o filme torna-se um road movie. Carl, Martin (John Leguizamo) – parceiro de longa data do chef – e Percy levam o trailer de cidade a cidade e veem o negócio se tornar um sucesso rapidamente.

É na estrada que os problemas de Casper se resolvem, como manda p ABC de um road movie. O pai ausente aprende a conhecer melhor o filho, o homem que perdeu a mulher tenta reacender o que havia no relacionamento, e o profissional frustrado se encontra. Clichê, verdade, mas não machuca ninguém.

Favreau montou um time de craques no elenco. Dustin Hoffman, Sofia Vergara, Scarlett Johansson e Olver Platt têm papéis pequenos, mas de grande contribuição para a estória. Fechando o time, Robert Downey Jr. aparece como o ex-marido de Inez, Marvin, personagem que traz à tela um pouco do sarcasmo cômico de Tony Stark.

Sem grandes malabarismos técnicos, o filme ganha na simplicidade. Uma fotografia que se divide em dois momentos: antes e depois do El Jefe. Tons escuros quando o chef está preso em um emprego que lhe bloqueia, e tons claros quando assume as rédeas do trailer. A trilha sonora é excelente, o toque latino é uma escolha certeira. A câmera, quase sempre fechada nos pratos montados por Casper, dá água na boca de quem vê.

“Chef” é leve, tranquilo, um filme que sabe a que veio e o lugar que deve ocupar. Sem grandes pretensões. Favreau oferece um prato cheio ao espectador, que me perdoem o trocadilho. É filme pra assistir no sofá, com a família ou os amigos, e não se torna menor por isso. Que “Chef” não é pra cardápio de restaurante fino, todos concordamos, mas é um belo prato de fast food.  

“Deus Não Está Morto”

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Falar de religião é algo complicado. O cinema em sua história apresentou diversos pontos de vista acerca da fé, seja com Bergman em “O Sétimo Selo” ou Amenábar, em “Mar Adentro”. “Deus Não Está Morto”, filme de Harold Cronk, coloca a questão sob os holofotes ao retratar a discussão entre um professor de Filosofia e um aluno universitário.

Ao entrar na faculdade, Josh Wheaton (Shane Harper) preenche sua grade curricular com uma matéria eletiva de Introdução a Filosofia. O responsável pelo curso é o professor Radisson (Kevin Sorbo), que constrói toda a primeira aula da cadeira tergiversando sobre a ignorância daqueles que ainda acreditam na existência de um Deus em pleno século XXI. Ateu escancarado, o educador insiste que todos os alunos escrevam três palavras em uma folha: Deus está morto. De acordo com Radisson, somente dessa maneira – ao se livrar de qualquer resquício teísta – é possível estabelecer um estudo objetivo da Filosofia.

O problema é que Wheaton, cristão convicto, é incapaz de negar suas crenças e realizar a tarefa que lhe foi pedida. O professor resolve então lhe dar uma escolha: convencer a turma de que Deus não está morto em três aulas, ou reprovar a matéria e perder a chance de cursar a faculdade de Direito que almeja.

O que parece uma proposta interessante se transforma em piada em menos de quinze minutos. O espaço que o roteiro possui para provocar uma discussão inteligente é anulado pela previsibilidade. Josh é o católico perfeito: carrega uma cruz de prata no peito (sempre em foco), tem uma namorada loira, linda e beata (que ele conheceu em um grupo de igreja) e prefere colocar em risco a carreira acadêmica em prol de defender o Deus em que acredita.

A argumentação em sala de aula é nada mais do que o be-a-bá do debate religioso. O professor cita os maiores gênios da história, todos ateus, enquanto o aluno rebate os argumentos com citações da bíblia e perguntas como “de onde vem o Universo?”. Stephen Hawking é descreditado em segundos, com os méritos de seus anos de pesquisa jogados no ralo pela citação do matemático cristão John Lennox, “você não pode explicar o universo sem Deus”. Só isso. Ponto final.

Mesmo que desconsiderássemos a total falta de profundidade do debate em sala, o filme insiste em nos provar o quão raso é. A trama envolve, além da dupla de protagonistas, uma série de personagens secundários. Há uma blogueira frívola que descobre uma doença grave e revê suas convicções, o namorado da tal blogueira, um verdadeiro babaca que não pensa em ninguém além dele mesmo, e um catequizador africano que passa o filme inteiro repetindo o mantra “Deus é bom o tempo todo, o tempo todo Deus é bom”.

Completando o núcleo, há uma muçulmana expulsa de casa pelo pai após declarar que ama Jesus e crê nos ensinamentos da Bíblia, e um asiático que (também) se rebela contra o pai ateu e assume o cristianismo. Ou seja, nesse enredo completamente parcial, não há fé que não possa ser abalada pela doutrina cristã. A construção de personagens é falha, opta pela quantidade acima da qualidade. A forma que a estória encontra para conectar tantos papéis funciona como um band-aid para remendar o desleixo dos roteiristas.

“Deus Não Está Morto” lucrou 41 milhões de dólares durante seu primeiro mês em cartaz nos Estados Unidos, vinte vezes o custo do filme. O sucesso relativo da produção confirma a força do cinema com temática cristã, que teve alguns representantes em 2014, como “O Céu É de Verdade”, e volta os olhares das grandes produtoras para um mercado que se mostra promissor.

Se a miscelânea apelativa que envolve câncer, morte, demência, milagres, e afins não for o suficiente para fazer o mais fervoroso dos ateus se converter, não se preocupe, há um belo concerto de rock cristão preparado para fechar com chave de ouro o carnaval de clichês. Ao final da trama, talvez se rabisque em um papel as palavras “O Cinema está morto”, então voltamos a Bergman e – como um milagre – nos tornamos crentes novamente. 

“Alabama Monroe”

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  • Ano de lançamento: 2012
  • País: Bélgica
  • Língua: Flamengo
  • Título original: “The Broken Circle Breakdown”
  • Diretor:  Felix van Groeningen
  • Avaliação: Pega a estatueta

O romance entre Elise (Veerle Baetens) e Didier (Johan Heldenbergh) parece improvável. Ela, uma tatuadora com o corpo preenchido de desenhos, jeito impulsivo e personalidade forte. Ele, um músico apaixonado pelo bluegrass americano, de aparência bronca e valores céticos.  Apesar do contraste, os dois formam um casal apaixonado que vive em uma fazenda na Bélgica.

Quando a filha do casal, Maybelle (Nell Cattrysse), uma menina de seis anos, é diagnosticada com leucemia, a vida do par vira de cabeça para baixo. O pequeno conto de fadas vivido na casa que o próprio Didier construíra para a família termina no leito de um hospital, com Elise debruçada sob a cama da criança. Vemos as primeiras sessões de quimioterapia, a perda dos cabelos, e os cansativos procedimentos médicos transformarem a garota que corria vestida de super-heroína em um ser frágil, aninhado nos braços dos pais.

A linha narrativa é descontínua, mesclando cenas de épocas diferentes da vida do casal. Em um instante, estamos ao lado de Maybelle no hospital, em outro, vemos como o músico e a tatuadora se conheceram. A transição entre momentos pesados e tranquilos é brusca, mas muito bem construída. Palmas aos roteiristas, Carl Joos e Felix van Groeningen, que souberam calcular as deixas certas para as mudanças de cenário.

O roteiro, aliás, é baseado na peça escrita por Johan Heldenbergh, intérprete de Didier. Johan é excepcional. Sempre certeiro, sem exageros, o ator não se deixa ofuscar pelo brilho evidente de Veerle Baetens, consagrada em diversos festivais pelo papel. A atriz é visceral, seja nos olhares serenos que troca com o marido, ou nos momentos mais profundos de luto.

“Alabama Monroe” é um cardápio cinematográfico. Hora romance, hora drama, hora – quiçá – até musical. Enquanto conta a história da dupla, o filme tece críticas sobre o desenvolvimento da medicina e dogmas religiosos. Vemos Elise se agarrar a uma pequena cruz nos momentos de desespero, e um Didier apaixonado pela América se contorcer ao assistir George Bush na televisão. A religião é debatida por diversos ângulos. Se é muleta pra amparo em tempos difíceis, ou necessidade orgânica humana de acreditar em algo, não se afirma, mas vale a reflexão.

O filme funciona. Fotografia, direção de arte, trilha sonora. Os tons quentes das noites de música ao vivo contrapostos aos tons frios dos dias no hospital. A trilha sonora, nas mãos de Bjorn Eriksson, é daquelas pra colocar no replay. Interpretadas pelos atores, as músicas vão de composições de bluegrass clássico a Johnny Cash, não a toa ficou em primeiro lugar em vendas na Bélgica.

O grande mérito de “Alabama Monroe” é não se deixar consumir pelo impacto causado pela doença infantil. Difícil não desviar o olhar ao assistir uma menina de seis anos ser levada pelo câncer, mas o filme é muito mais do que isso. É uma alegoria sobre o luto, uma experiência quase antropológica, o dissecar de uma vida a dois. O que nos incomoda, afinal, é ver a vida em forma de vida. E dela, meu amigo, a gente não escapa. 

“The Rover – A Caçada”

  • Ano de lançamento: 2014
  • País: Austrália/Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título original: “The Rover”
  • Diretor:  David Michôd
  • Avaliação: Pra parar e refletir

O mais novo trabalho de David Michôd chega às telas sob os holofotes da expectativa, afinal, o filme anterior do diretor, “Reino Animal” (2010), foi um sucesso de crítica e premiações. “The Rover – A Caçada” é escrito, produzido e dirigido por Michôd e estrelado por Guy Pearce e Robert Pattinson.

A trama se passa em uma Austrália pós-apocalíptica, um deserto sem dono, dez anos após um colapso econômico mundial. Eric (Guy Pearce) é um homem sozinho, como muitos nesse novo mundo. Quando seu carro, único bem material, é roubado por uma gangue de assaltantes, Eric decide partir em uma caçada a fim de recuperar o que lhe fora roubado.  

No meio do caminho, o homem cruza com um jovem ferido (Robert Pattinson), que – por uma coincidência louca – é o irmão mais novo de um dos membros da gangue de ladrões, que ficou pelo caminho após um dos assaltos do grupo. No irmão, que sofre pelo abandono fraterno, Eric encontra um parceiro para a jornada.

Uma espécie de faroeste futurista, “The Rover” não é nada espetacular, mas triunfa pela construção do subtexto. Com um protagonista forte, o filme fisga o espectador através de um calado Guy Pearce, que domina a tela sempre que aparece. A mistura entre cenas contemplativas e cenários surreais, envolvendo anões, cafetinas e violência crua, cria um ritmo interessante.

O maior tropeço da trama é a irregularidade da linha narrativa. Quando nos conformamos em mergulhar no filme, sem perguntar quem é quem, em confiar no diretor o suficiente pra não fazer questão de indagar, somos surpreendidos por esclarecimentos que não eram necessários. Uma pena. 

Guy Pearce é sensacional. A expressão sempre bem calculada, uma atuação completa. Ao seu lado está um Robert Pattinson crível, em uma das melhores atuações da carreira. Bom manter um olho no rapaz. A direção de Michôd bambeia em alguns momentos, mas é importante lembrar que esse é só o segundo longa do diretor, que já provou ter o necessário para trilhar um caminho pra lá de interessante.

Em meio a tropeços e triunfos, “The Rover” é um filme para se assistir. Enquanto caminhamos pela realidade apresentada, somos instruídos a refletir sobre os limites humanos. Em um mundo sem leis, até onde iríamos? Vale a ponderação.