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Vox Lux

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  • Original title: Vox Lux
  • Director: Brady Corbet
  • Release year: 2018
  • Original language: English

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The sequence at the early start of Vox Lux is one unfortunately too familiar. One disturbed student enters a classroom with a gun in hand and nothing but hatred in mind. One of the bullets fired on the day lodged itself in the spine of young Celeste, who was turned into a symbol for the grieving community. Her voice, in the form of a touching song, sends the girl into the eye of the media hurricane. A beat later and Celeste has an agent and a record label, travelling around the world with her older sister, carefully planning every step of her then early career.

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“Terapia de Risco”

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Um dos diretores mais versáteis do cinema, Steven Soderbergh já navegou entre a comédia, o documentário e o drama. O diretor passeou pelos gêneros em seus últimos trabalhos, “Contágio” e “Magic Mike”. Em “Terapia de Risco” vemos um Soderbergh em plena forma, realizando os malabarismos cinematográficos de costume.

Emily Taylor (Rooney Maraé diagnosticada com depressão após o retorno do marido (Channing Tatum), que passou quatro anos na cadeia por utilização de informações ilícitas em um negócio na Bolsa de Valores de Nova Iorque. Para que pudesse evitar a internação a fim de continuar trabalhando, Emily concorda em realizar um tratamento com o psiquiatra Jonathan Banks (Jude Law). O médico, levando em consideração o estado da paciente – que chegou ao ponto de tentar o suicídio – decide prescrever alguns antidepressivos.

Com a medicação recomendada não parecendo surtir efeito, Taylor continua a mergulhar em um estado de melancolia profunda. Em uma consulta, Emily sugere à Banks um tratamento com um novo medicamento, Ablixa. O psiquiatra decide então receitar a nova droga à paciente, que retorna a seu consultório alguns dias depois alegando sofrer de sonambulismo como efeito colateral.

Um assassinato ocorre, e a partir daí o filme constrói a ponte que faz a passagem de um drama melancólico a um thriller cheio de reviravoltas. A inversão de protagonistas faz com que a trama ganhe novos pontos de vista. Nas mãos de Soderbergh, a virada do filme é muito bem administrada, sem perder o espectador. Uma manobra arriscada, mas bem formulada, com cara e jeito de diretor que sabe o que faz.

O filme é capaz de tecer uma boa crítica à indústria farmacêutica nos Estados Unidos, onde o consumo de medicamentos é tão comum quanto chupar uma bala. Somos apresentados a propagandas que prometem a felicidade rápida e fácil aos que consumirem as pílulas. O uso das drogas é banalizado, como em uma sequência em que Banks diz à esposa que os calmantes que ela está prestes a tomar para encarar uma entrevista de emprego não vão ocultar sua personalidade, pelo contrário, exaltarão suas qualidades.

O elenco é sensacional. Rooney Mara prova mais uma vez ser uma das grandes promessas desta geração de atrizes. Jude Law e Catherine Zeta-Jones (no papel da antiga psiquiatra de Emily) apresentam atuações dignas da carreira de sucesso de ambos. A direção de fotografia, também assumida por Soderbergh, encontrou na trilha sonora de  Thomas Newman o parceiro ideal. Conforme o foco da trama se altera, a fotografia e a música o acompanham, responsáveis sempre por mergulhar o espectador na nova fase que o filme adentra.

A única ressalva ao filme é o rumo que o roteiro toma quando se aproxima do desfecho. Para uma trama que cativou quem assiste durante toda sua duração, é triste que a injeção de adrenalina caia quando o final se aproxima. Com um roteiro promissor, a obra prometia um final avassalador, que não entrega. Porém, um trabalho construído tão competentemente não perde seus méritos pela falha.

Soderbergh disse estar se despedindo do mercado, deixando “Terapia de Risco” e o telefilme “Behind The Candelabra” como seus últimos trabalhos na direção. Uma pena. Ao assistir um filme como “Terapia de Risco”, fica clara a lacuna que o diretor vai deixar. Bom, só nos resta procurar nossos próprios Ablixa, quem sabe assim a gente drible a saudade. 

“A Recompensa”

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  • Ano de lançamento: 2013
  • País: Reino Unido
  • Língua: Inglês
  • Título original: “Dom Hemingway”
  • Diretor: Richard Shepard
  • Avaliação: Qual era mesmo?

“Dom Hemingway” chega ao Brasil como “A Recompensa”. Uma pena. O longa, escrito e dirigido por Richard Shepard, não poderia perder seu título original. O filme conta a história de Dom Hemingway (Jude Law), excêntrico pilantra que passou doze anos preso por escolher não delatar um poderoso mafioso russo.

Ao sair da prisão após longos doze anos, Dom Hemingway se vê fora de forma, não tão ágil quanto nos anos de ouro, viúvo de uma esposa vítima de câncer e desprezado pela filha única. O único consolo do trapaceiro é a recompensa que espera de Mr. Fontaine (Demian Bichir), chefe da máfia para quem trabalhava e responsável pelos anos que passou na cadeia.

Ao lado do melhor amigo e parceiro, Dickie (Richard E. Grant), Dom vai à França, rumo à mansão do antigo chefe, pra buscar o dinheiro que lhe foi prometido. É aí que tem início seu festival de azares. Uma crise emocional, um acidente de carro e um furto infeliz. Desolado, Dom retorna à Londres natal, disposto a encontrar uma maneira de fazer as pazes com a filha que não vê desde que foi preso.

“A Recompensa” é divertido, mas longe de ser brilhante. O roteiro tenta construir um circo à altura do personagem principal, mas acaba por entregar um pout-pourri de situações mirabolantes e por muitas vezes mal resolvidas. Quando o filme parece assumir um caminho, se desvia rapidamente para o próximo conflito, deixando o anterior inconcluso. Shepard escorrega também em certas escolhas de direção, como a divisão do filme em capítulos, opção curiosa e que não cai muito bem à trama.  

Ainda que falho, o filme ganha pela sensacional atuação de Jude Law. A primeira cena, um monólogo de mais de três minutos sobre a perfeição do próprio pênis, é o aperitivo ideal para um cardápio completo de bizarrices acerca do protagonista. Se em “Alfie” outro filme em que interpreta o personagem-título, Law é um galã sedutor e envolvente, em “A Recompensa” o ator se transveste por inteiro, entregando ao espectador um esdrúxulo canastrão, orgulhoso não só da genitália, mas da calvície aparente e da barriguinha saliente que ostenta. Ao lado de Law está um ótimo Richard E. Grant. Coeso, o ator contrabalança a extravagância de Hemingway na pele do racional (na medida do possível) Dickie.

“A Recompensa” é o tipo de filme que não machuca ninguém, bom pra se assistir em uma sexta-feira com amigos. Construído por uma série de itens com gosto de “já vi antes”, a trama não vai muito além do arroz com feijão cinematográfico. Apesar do roteiro fraco e da direção duvidosa, Dom Hemingway acaba por nos entregar enfim, uma recompensa: Jude Law. Não posso reclamar.