“Blue Jasmine”

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  • Ano de Lançamento: 2013
  • País: Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título Original: Blue Jasmine
  • Diretor: Woody Allen
  • Avaliação: Pega a estatueta!

Em Blue Jasmine, Woody Allen retorna ao território americano após divagar por direções que prestam declarações de amor à Europa, como “Vicky, Cristina, Barcelona”, “Meia Noite em Paris” e “Para Roma com Amor”.

Em seu mais recente trabalho, conta-se a história de Jasmine (Cate Blanchett), uma ex-socialite forçada a deixar seu universo nova iorquino de luxo e extravagâncias, após ver a falência bater a sua porta pouco tempo depois de seu marido ir preso por crimes de fraude e corrupção. Sem alternativas, ela se vê obrigada a deixar Nova Iorque rumo a São Francisco, para morar com a desengonçada irmã mais nova, Ginger (Sally Hawkins)

Ao cair de paraquedas em um mundo completamente alternativo ao que estava acostumada, Jasmine entra em colapso. O filme é composto pela alternância entre flashbacks de sua antiga vida como milionária e o cenário atual. A enorme mansão belamente decorada é contraposta com o pequeno apartamento brega da irmã, os cartões de crédito ilimitados dão lugar ao emprego de recepcionista em um consultório médico. Os goles que a protagonista dá, por diversas vezes, na Stolichnaya da irmã retratam a dificuldade desta em se adaptar à nova vida. 

Outro ponto interessante é a diferença entre Hal (Alec Baldwin), o corrupto ex-marido de Jasmine, e os homens com quem Ginger se envolve ao longo da trama. Ao mesmo tempo em que a irmã mais velha julga os homens que a caçula escolhe como pobres, acomodados e indignos, ela se vangloria de ter tido um relacionamento com um homem fino, rico e que a tratava como uma rainha.  O filme acaba por fazer com que o espectador se afeiçoe pelos romances vividos por Ginger e se enoje com a vida vivida pelo casal high society.

O roteiro é quase coadjuvante à atuação de Cate Blanchett, que é óbvia candidata ao Oscar de Melhor Atriz em 2014. Não seria essa a primeira vez que Woody Allen oscariza um de seus atores. Diane Keaton, Penélope Cruz, e Michael Caine são alguns exemplos de premiados por atuações em filmes do diretor. Tão completo é o trabalho de Blanchett, que é capaz de ofuscar as ótimas atuações do elenco de apoio. Os divertidos Bobby Cannavale e Louis C.K. são responsáveis por, ao lado de Sally Hawkins, intercalar os momentos dramáticos e agregar uma veia cômica à trama.

Ao lado de Allen está uma equipe que mostra bastante afinidade. A fotografia, nas mãos de Javier Aguirresarobe, somada à direção de elenco da sempre fiel parceira de Allen, Juliet Taylor e a edição de Alisa Lepseltter, responsável pelo equilíbrio entre os flashbacks, tecem um filme claro, com a luz bem administrada, personagens marcantes e planos concisos.

Ao construir uma de suas protagonistas mais icônicas, Allen retorna às graças da crítica. Blue Jasmine é aprazível, desde seus créditos iniciais, clássico preto no branco, até seu final quase teatral. 

“À Procura do Amor”

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Uma glorificação do cotidiano, “À Procura do Amor” é a mistura na dose certa de comédia e romance sem os clichês apelativos da comédia romântica. 

A massagista Eva (Julia Louis-Dreyfus) é o retrato cômico da mulher à beira dos 50 anos. Divorciada, e com medo da solidão após a mudança da filha adolescente para cursar a faculdade. Em uma festa, Eva conhece Albert (James Gandolfini), um divertido pai divorciado que está passando pela mesma fase. A junção dos dois forma um casal (que me perdoem o teor pessoal) fofo e bem-humorado. 

Já no primeiro encontro, a química da dupla é inegável. O robusto Albert se diverte às custas dos próprios defeitos, e a sagaz Eva sempre tem uma resposta afiada na ponta da língua. As cenas protagonizadas pelos dois arrancaram sorrisos e, por vezes, gargalhadas da plateia. 

Quando o espectador se vê torcendo para o triunfo do romance, eis que se revela a problemática do filme: uma das clientes de Eva, Marianne (Catherine Keener), é, coincidentemente, ex-mulher de Albert. 

A imparcialidade de início de flerte é destruída, uma vez que, Eva agora tem acesso a todos os detalhes que fizeram com que a relação anterior de seu novo namorado chegasse ao fim. Durante as longas conversas com Marianne, Eva não consegue deixar de se influenciar pela descrição detalhada que a amiga faz de seu “fracassado ex-marido”. 

O filme é uma ode ao ordinário. É a caricatura da convivência não só entre um casal recém formado, mas também entre mãe e filha, entre mulheres na meia idade e relações familiares em geral. Em algumas das cenas, Holofcener parece integrar a plateia à narrativa, tamanho o conforto gerado pelos diálogos. 

Chamada por alguns de “a versão feminina de Woody Allen”, Holofcener achou em Julia Louis-Dreyfus a parceira perfeita para sua composição woodyalleniana. Por sua performance a atriz já está sendo cogitada por alguns críticos como uma candidata ao Oscar de melhor atriz no ano que vem.

“À Procura do Amor” é o penúltimo trabalho de James Gandolfini – que faleceu em junho deste ano – famoso por seu papel em “Família Soprano”. A leveza de sua atuação, contraposta à robusta figura de seu personagem, é a receita para a nostalgia daqueles que admiram seu trabalho. 

Todos aqueles que já optaram por prevenir ao invés de remediar, se identificarão em algum ponto da trama, que trata de amor como uma conversa descontraída entre amigos numa sexta-feira a tarde.

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O Conselheiro do Crime

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  • Ano de Lançamento: 2013
  • País: Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título Original: The Counselor 
  • Diretor: Ridley Scott
  • Avaliação: A arbez

Com a assinatura do roteirista estreante e vencedor do Pulitzer, Cormac McCarthy, a direção de Ridley Scott e um elenco estelar, O Conselheiro do Crime estabeleceu altas expectativas ao entrar nas salas de cinema. 

A trama segue um advogado de sucesso (Michael Fassbender) que acabou de pedir sua namorada, Laura (Penélope Cruz), em casamento. Por mais que leve uma vida confortável, este se une ao amigo Reiner (Javier Bardem) e o caricato Westray (Brad Pitt), em um perigoso e milionário esquema de tráfico de drogas, em prol de financiar a nova vida de casado.

Tudo o que poderia dar errado no esquema, dá. O que antes parecia uma jogada inteligente acaba se revelando o pior pesadelo do advogado, que logo se vê preso no meio de um furacão envolvendo drogas, corrupção e traficantes de um ameaçador quartel mexicano. 

Apesar de todos os fatores de atração, o resultado não vinga. O filme falha em prender a atenção do espectador devido à linha contínua, sem grandes oscilações no roteiro e a previsibilidade do desfecho. Em certos pontos, não se sabe mais quem é quem e qual sua ligação com o protagonista e o enredo. 

Alguns pontos são excepcionais, como os excelentes diálogos, muitos deles por conta de Reiner e Westray, a atuação impecável de Cameron Diaz, na pele da ousada Malkina, a fotografia, comandada com maestria por Dariusz Wolski. As cenas rodadas no deserto são de tirar o fôlego. 

É interessante ver a desconstrução do personagem de Fassbender durante o desenrolar do filme. Aquele que antes vivia em um cenário de conforto financeiro e sucesso pessoal, é apresentado aos horrores do mundo paralelo das drogas. A violência, retratada com certa banalidade, é contraposta com a doçura do romance entre o advogado e sua noiva. A relação entre essas duas realidades que se cruzam compõe o final angustiante da trama. 

“Gravidade”

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Gravidade rompeu com todas as expectativas ingênuas que eu tinha antes de entrar na sala de cinema. O roteiro é simples: o que acontece a um grupo de astronautas quando uma tempestade de destroços atinge sua espaçonave. Mas, Alfonso Cuarón domina com maestria a direção e transforma a simplicidade em espetáculo. 

O filme conta a história da doutora Ryan Stone (Sandra Bullock), uma médica em luto pela perda da filha, e do astronauta Matt Kowalski (George Clooney), que estão em uma missão espacial para consertar o telescópio Hubble. Quando sua nave é atingida por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite russo ambos têm que procurar uma maneira de superar as adversidades encontradas no espaço.

Com a capacidade de levar o espectador do pavor à empatia em minutos, o filme é uma montanha-russa aos sentidos. Os efeitos especiais são impecáveis e o uso do 3-D é revolucionário ao fazer com que quem assiste tenha o ponto de vista da astronauta, incluindo o interior de seu capacete, e medidor de oxigênio. Tudo é tão realista que inclina o público ( e a imprensa) a pensar que o filme foi realmente filmado no espaço. 

A atuação de Bullock é impecável. Com o desafio de filmar em um ambiente onde supostamente não há gravidade, a atriz teve de re-educar suas ações e movimentos corporais, além de lidar com toda a carga emocional da personagem. Nas cenas em que Ryan fala da morte da filha, é como se por um momento o espaço fosse um item secundário à trama. 

Há de se reconhecer também o trabalho de Clooney, que traz à tona um personagem vivaz, que mantém a calma e o bom humor mesmo diante do cenário de caos vivido por ele e Stone. 

Uma das grandes apostas para o Oscar 2014, Gravidade é uma imersão fantástica que combina ficção e realidade, feita para criar receios àqueles que um dia sonharam em se tornar astronautas.