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Divertida Mente

Dos questionamentos mais complexos a Pixar apresenta as respostas mais simples. O que forma a nossa personalidade? Memórias especiais que rolam por nosso subconsciente em uma canaleta colorida tornando-se uma ilha mirabolante ao atingirem seu destino final. As memórias que já não mais precisamos são descartadas por uma pragmática equipe de arquivistas e nossos sonhos são encenados por um departamento Broadwayziano cuja estrela principal é um unicórnio de tons arco-íris.

Nos primeiros segundos do filme, somos perguntados sobre a vontade inerente ao ser humano de ler a mente do próximo. Mel Gibson conquistou o mundo dos negócios ao ganhar acesso aos pensamentos das mulheres e o mais poderoso (e o grande líder) dos famosos mutantes da Marvel é justamente um telepata. Em Divertida Mente, temos acesso garantido e ilimitado ao consciente de Riley (Kaitlyn Dias), uma menina de 11 anos, durante sua mudança da gelada Minnesota à cosmopolita São Francisco.

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“Frozen: Uma Aventura Congelante”

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Com um lucro estrondoso ao redor do mundo desde sua estreia nos Estados Unidos, em novembro, “Frozen” chegou às salas de cinema brasileiras acompanhado do burburinho e das expectativas da crítica e do público. Baseado no conto de Hans Christian Andersen, “A Rainha da Neve”, o filme conta a história de Elsa (Idina Menzel), uma princesa com poderes invernais, herdeira do trono da pequena cidade de Arendelle.

Logo na primeira cena, vemos Elsa brincar com a irmã mais nova, Anna (Kristen Bell), que se mostra completamente fascinada pelos poderes da irmã. As duas constroem bonecos de neve e deslizam pelas superfícies de gelo, mas – durante uma das manobras de Elsa – Anna é ferida gravemente. Sua vida é salva por criaturas da floresta, chamadas “trolls”, que recomendam ao rei e a rainha apagar toda e qualquer memória que a pequena princesa possa ter dos poderes da irmã. Preocupados com as consequências da habilidade da filha mais velha, os pais decidem colocar Elsa em reclusão, o que abala a relação das irmãs.

Anos depois, vemos Anna dançar sozinha pelos grandes salões do castelo, cantando a singela “Do you want to build a snowman?”. A trama explora a falta que a relação fraternal faz à irmã mais nova, que passa os dias ao lado da porta do quarto de Elsa, implorando por sua companhia, sem resposta.

Quando chega o dia da princesa assumir o trono de Arendelle, o palácio é aberto ao público pela primeira vez desde que estivera reclusa. É então que Anna tem a oportunidade de romper a fortaleza do castelo e conhece Hans (Santino Fontana), príncipe de uma cidade próxima.Supostamente apaixonada, ela decide aceitar a ousada proposta de Hans e casar-se com ele. A ameaça de um novo morador no castelo faz com que Elsa perca o controle de seus poderes. Confusa, e com medo da reação dos moradores da cidade, a então rainha foge para a floresta, deixando Arendelle imersa em um intenso inverno.

Se em filmes anteriores a presença masculina guiava os momentos de bravura e coragem, dessa vez é a pequena e falante Anna que enfrentará os perigos de uma floresta congelada a fim de encontrar a irmã e trazer o verão de volta a Arendelle. Aliás, não só nos personagens está a forte presença feminina. Pela primeira vez, um longa-metragem de animação da Disney é dirigido (ou melhor, co-dirigido) por uma mulher, Jennifer Lee, que também assina o roteiro adaptado.

É interessante ver como a trama explora os clichês Disneyanos, adaptando-os para uma visão mais contemporânea. Anna não tem medo de fazer comentários como “você é tão bonito”, a um príncipe desconhecido, assim como Kristoff (Jonathan Groff– o vendedor de gelo que acompanha a princesa durante sua jornada – não tem medo de reprimi-la por aceitar se casar com um completo estranho. A fuga de Elsa é retratada através de “Let It Go”, canção cotada ao Oscar 2014, e que traz em sua letra frases como “livre estou, não me importa o que vão falar, tempestade vem, o frio não vai mesmo me incomodar”.

O boneco de neve Olaf (Josh Gad), que tem lugar de destaque nos cartazes de divulgação, só se faz presente na segunda metade do filme, e é ele o responsável por equilibrar o teor cômico da trama, interagindo com a rena de Kristoff, Sven, e sonhando com os dias quentes de verão. É dele também, a frase – e um dos momentos – mais marcantes do filme.

O combo direção de arte + roteiro + trilha sonora faz de “Frozen” uma produção pra lá de aprazível, um triunfo da velha Disney, que construiu seu reinado ao encantar gerações com suas princesas. Ao seguirmos Anna em sua jornada, vemos a jovem em busca de muito mais do que salvar sua pequena cidade de uma eternidade no inverno. Somos levados com ela pela peregrinação de uma garota desfalcada, que – pela primeira vez – encontra o verdadeiro amor nos laços da fraternidade, um belo tapa na cara de príncipes em seus cavalos brancos.