critica

(Festival do Rio 2015) The Lobster

Se tem uma palavra que não pode descrever Yorgos Lanthimos é convencional. Conhecido por levar aos limites as mais complicadas convenções sociais, o diretor grego sai do cinema independente da terra Natal rumo à estreia em Hollywood com o não menos controverso The Lobster, uma estória – distorcida – de amor.

Em um futuro distópico não situado cronologicamente, os seres humanos são forçados a viver em casais. Aqueles incapazes de encontrar um parceiro em sociedade, são encaminhados para um hotel onde, com a assistência de um grupo de funcionários e regras extremamente rígidos, convivem com outros solteiros por um determinado tempo à espera de encontrar um par adequado. Para que esses pares se formem, é necessário que duas pessoas compartilhem uma característica em especial, como sangramentos nasais espontâneos ou miopia. Aqueles que, ao final de um período específico não encontrarem um par, são transformados em um animal de sua escolha.

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(Festival do Rio 2015) Dora Ou As Neuroses Sexuais De Nossos Pais

  • Ano de Lançamento: 2015
  • País: Alemanha
  • Língua: Alemão
  • Título Original: Dora oder Die sexuellen Neurosen unserer Eltern
  • Diretor: Stina Werenfels
  • Avaliação: Qual era mesmo?

Ao atingir a maioridade, Dora (Victoria Schulz) começa a experimentar a sensação dos primeiros desejos sexuais. Essa manifestação um pouco tardia se deve ao fato de Dora ser portadora de deficiência mental e estar – pela primeira vez na vida – livre das algemas dos comprimidos, cortados pela mãe (Jenny Schilylogo após o aniversário da menina.

Ao flagrar os pais na cama, Dora é apresentada pela primeira vez ao conceito de sexo, ou “pipi na pepeca”, eufemismo concebido pela menina. A partir daí, a moça desenvolve uma certa obsessão pelo assunto, correndo aos prantos ao perceber que os colegas mais próximos namoram, mas ela não; masturbando-se na banheira em frente à mãe e tentando beijar o pai.

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Os Descendentes

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Além de ter que lidar com o coma da esposa e uma decisão imobiliária capaz de afetar todo um país, Matt King (George Clooney) precisa aprender a manejar as duas filhas rebeldes. Os Descendentes, filme de Alexander Payne, é um ensaio sobre família e as adversidades da vida, das quais nem o mais belo dos cenários ajuda a escapar.

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Sniper Americano

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Do cano da arma de Chris Kyle, saíram as balas responsáveis por matar cerca de cento e sessenta pessoas, tornando-o o franco atirador mais letal da história do exército americano. A lenda, como ficou conhecido na força de operações especiais da Marinha dos Estados Unidos, narrou suas memórias no livro Sniper Americano, levado às telas por Clint Eastwood.

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“O Juiz”

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Susan Downey deixou o posto de Co-Presidente da Dark Castle Entertainment e VP Executiva de Produção na Silver Pictures para trabalhar mais perto do marido, Robert Downey Jr. Juntos, fundaram a Team Downey, produtora que lança agora o primeiro filme, O Juiz, drama que procura retomar a glória dos saudosos filmes de tribunal.

A trama segue a relação conturbada entre o advogado de sucesso Hank Palmer (Robert Downey Jr.), e seu pai, Joseph Palmer (Robert Duvall), o prestigiado juiz de uma cidadezinha de interior nos Estados Unidos. Quando a matriarca dos Palmer morre, o filho distante retorna à pequena cidade natal e tem de enfrentar os antigos conflitos familiares. O que era pra ser uma breve estadia se estende quando o juiz é acusado em um complicado caso de assassinato, e vê no filho a única chance de absolvição.

Nos cartazes de divulgação, O Juiz é pintado como o típico filme de tribunal, queridinho dos americanos em tempos passados. Porém, ao sentarmos na poltrona do cinema, logo percebemos que estamos diante de uma mescla de vários subgêneros: o drama familiar, o filho pródigo, e a caricatura do perfil americano de sucesso.

Esculpido em busca de algumas nomeações para o Oscar 2015, a trama tem nas atuações seu grande mérito. O Team Downey acertou em cheio ao escalar Robert Duvall no papel do rigoroso Juiz Palmer. O ganhador do Oscar por A Força do Carinho entrega uma atuação digna de uma sétima indicação ao prêmio. Duvall alcança o espectador ao retratar o processo de degradação física e mental daquele que um dia possuiu uma cidade inteira em suas mãos. O austero Juiz Palmer sai das bancadas para uma banheira, imundo, vencido, em uma batalha que vai muito além dos tribunais.

Robert Downey Jr. é… Robert Downey Jr. O ator vem se especializando há algum tempo em um tipo pré-moldado de personagem. E funciona. O espectador espera da estrela de Hollywood uma atuação recheada de ironias, piadas sarcásticas e humor ácido, e é isso o que ele entrega, mais uma vez. Em uma versão ligeiramente mais sensível de Tony Stark, Downey mostra uma química certeira com Duvall em tela. As cenas dos dois são de longe as melhores do filme. 

O restante do elenco completa um time muito bem escolhido. Vera Farmiga, na pele de um amor antigo de Hank, é um dos personagens mais gostosos de assistir. Vincent D’Onofrio e Jeremy Strong, os irmãos do advogado, formam uma dupla cativante, em papéis essenciais para uma compreensão total dos dilemas do protagonista. Billy Bob Thornton até tenta, mas não encontra o espaço necessário para se destacar em meio ao conjunto.

O roteiro oscila entre clichês, passagens cômicas e momentos de carga dramática, sem nunca realmente fazer com que o espectador se remexa na cadeira. Sem sair da zona de conforto, O Juiz nos deixa com aquele gostinho de já vi em algum lugar. A estória, vai facilmente cair em lugar comum na nossa memória, mas o trabalho de Duvall, esse vai ser difícil de esquecer.