cinema review

Confia em Mim

Insegura, a sous-chef Mari (Fernanda Machadose joga dos braços do sedutor Caio (Mateus Solanoapós um ou dois elogios bem formulados. O romance segue como um conto de fadas até a moça entregar na mão do amado recém-conhecido a quantia de duzentos mil reais, na esperança de que o rapaz efetuasse a compra de um estabelecimento que se tornaria o sonhado restaurante próprio da cozinheira. Quando Caio e o dinheiro desaparecem, Mari precisa lidar com o baque do golpe e o julgamento dos amigos e familiares.

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Relato de uma cinéfila em Londres

Passei o primeiro semestre de 2015 em Londres, um sonho antigo. Já tinha visitado a cidade por outras duas vezes, e – mesmo ficando poucos dias – fiz questão de dar umas voltas pelos cinemas da cidade. Turistando, meio sem grana e sem tempo, conheci o básico do básico, mas quando pintou a chance de morar lá por um tempinho agarrei a oportunidade de perambular por entre os cinemas independentes, os cineclubes e pequenas salas escondidas em grandes campus de faculdades.

No meu segundo dia na cidade, já tinha meu cartão de afiliação do Prince Charles Cinema, de longe meu cinema favorito em Londres. Uma membership no PCC custa dez libras anuais ou cinquenta vitalícias e garante filmes semanais por uma libra, além de sessões diárias por quatro. O cinema tem jeito de casa e uma programação espetacular, com maratonas que duram uma noite, festas do pijama e sing-alongs. Além disso, a equipe é super atenciosa, a ponto de colocar seu filme favorito na telona caso você mande um email legal.

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Invencível

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  • Ano de Lançamento: 2015
  • País: Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título Original: “Unbroken”
  • Diretor:  Angelina Jolie
  • Avaliação: A arbez

História real. Segunda Guerra Mundial. Soldado. Atleta. Bom moço. A segunda empreitada de Angelina Jolie na direção colocou no liquidificador todos os ingredientes necessários para conquistar os júris (e a Academia).

Invencível conta a história de Louis Zamperini (Jack O’Connell), sobrevivente de guerra e atleta olímpico. Louis passou quase cinquenta dias à deriva após a queda de uma avião de combate e foi resgatado pelos inimigos japoneses, tomado refém e mantido em condições sub-humanas.

Os primeiros minutos são eletrizantes. A tensão crescente em meio a  um campo – aéreo – de batalha domina a tela. A expectativa é atenuada por um início promissor, mas, daí pra frente caímos em queda livre, arrastados por uma narrativa incapaz de segurar a atenção do espectador.

Zamperini enfrenta bombardeios, dias em mar aberto, fome, queimaduras… A trajetória do atleta é composta por episódios de angústia e incerteza, elementos que se esvaem na abordagem rasa e quase calculada de Jolie. O filme se arrasta durante mais de duas horas, sem explorar o potencial da história e dos personagens.

O roteiro, co-assinado pelos irmãos Coen, William Nicholson e Richard LaGravenese, transforma o inesperado em previsível. A trama não se demora em questões como a relação do protagonista com a família, e o contraste entre as personalidades do atleta e dos companheiros de exército que dividiram com ele um pequeno bote por quase dois meses. Até mesmo a forte figura do inimigo é limitada a bordões inexpressivos e traços caricatos.

Jack O’Connell tenta, mas não consegue causar grande impacto. Tão morno quanto a narrativa, o ator não captura a essência do personagem principal. O restante do elenco segue o mesmo caminho, sem entregar nenhuma performance memorável. Domhnall Gleeson tem bons momentos, mas é mal aproveitado, e fica preso aos limites do papel. 

Jolie convocou um time de primeiro escalão para a produção de Invencível. A trilha sonora é de Alexandre Desplat (que concorre duas vezes ao Oscar 2015), a direção de fotografia é de Roger Deakings e o roteiro está nas mãos de um grupo de escritores consagrados. Excelente escalação, mas, a gente bem sabe que até time favorito pode perder de 7×1.

“Chef”

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Jon Favreau construiu uma bela carreira ao longo dos últimos anos. A frente do sucesso estrondoso “Homem de Ferro”, o ator/diretor/roteirista/produtor, colocou seu nome sob os holofotes de Hollywood. Em “Chef”, Favreau deixa de lado os grandes blockbusters e se aventura em uma comédia leve e intimista. A aposta estreou no Festival de Tribeca, e teve uma das melhores bilheterias para filmes independentes.

Quando um famoso crítico gastronômico (Oliver Platt) decide visitar o Riva, restaurante onde trabalha o chef Carl Casper (Jon Favreau) a equipe da cozinha investe em um menu diferente para agradar o escritor. No entanto, Riva (Dustin Hoffman), o dono do restaurante, corta as asas do chef e demanda que o menu seja o tradicional be-a-bá do local. A visita do crítico acaba em desastre com um texto detonando a falta de criatividade do menu e o estado de conforto de Casper.

Ao tentar responder o crítico, Carl acaba se tornando um viral na internet. O chef perde o emprego, o restaurante, e o equilíbrio. É então que sua ex-mulher, Inez (Sofía Vergara), o convida a acompanha-la em uma viagem a Miami com o filho do casal, Percy (Emjay Anthony). Inez crê que, ao voltar para a cidade onde começou a carreira, Casper possa encontrar uma maneira de seguir em frente.

Durante a viagem, Carl é exposto à cultura cubana, de presença forte na cidade. Não só a comida, como a música, tornam-se grandes influências para o chef (e para o filme em geral), que decide aceitar a proposta antiga de Inez: abrir um food truck. Surge então o El Jefe, trailer que serve fast food de comida cubana.

A partir daí o filme torna-se um road movie. Carl, Martin (John Leguizamo) – parceiro de longa data do chef – e Percy levam o trailer de cidade a cidade e veem o negócio se tornar um sucesso rapidamente.

É na estrada que os problemas de Casper se resolvem, como manda p ABC de um road movie. O pai ausente aprende a conhecer melhor o filho, o homem que perdeu a mulher tenta reacender o que havia no relacionamento, e o profissional frustrado se encontra. Clichê, verdade, mas não machuca ninguém.

Favreau montou um time de craques no elenco. Dustin Hoffman, Sofia Vergara, Scarlett Johansson e Olver Platt têm papéis pequenos, mas de grande contribuição para a estória. Fechando o time, Robert Downey Jr. aparece como o ex-marido de Inez, Marvin, personagem que traz à tela um pouco do sarcasmo cômico de Tony Stark.

Sem grandes malabarismos técnicos, o filme ganha na simplicidade. Uma fotografia que se divide em dois momentos: antes e depois do El Jefe. Tons escuros quando o chef está preso em um emprego que lhe bloqueia, e tons claros quando assume as rédeas do trailer. A trilha sonora é excelente, o toque latino é uma escolha certeira. A câmera, quase sempre fechada nos pratos montados por Casper, dá água na boca de quem vê.

“Chef” é leve, tranquilo, um filme que sabe a que veio e o lugar que deve ocupar. Sem grandes pretensões. Favreau oferece um prato cheio ao espectador, que me perdoem o trocadilho. É filme pra assistir no sofá, com a família ou os amigos, e não se torna menor por isso. Que “Chef” não é pra cardápio de restaurante fino, todos concordamos, mas é um belo prato de fast food.