Carol

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Que a intolerância ainda permeia a sociedade contemporânea é inegável. Em tempo de Trumps e Bolsonaros, narrativas que evocam a luta por igualdade e direitos civis são mais do que necessárias. O novo filme do diretor americano Todd Haynes conta a história de Carol (Cate Blanchett), mulher de classe média alta na Nova Iorque dos anos 50 que – durante as festividades natalinas – apaixona-se por Therese (Rooney Mara), uma vendedora de brinquedos.

A protagonista enfrenta um divórcio conturbado, uma briga judiciaria pela guarda da filha e os olhares desconfiados daqueles que ouviram os rumores de violações às condutas de moral da época. Ao decidir fugir com uma moça mais jovem, Carol vai contra não só o futuro ex-marido, mas todo o grupo social ao qual pertence. Therese, por sua vez, despacha o pretendente e o emprego medíocre em uma loja de departamentos para embarcar em uma viagem sem rumo certo ao lado de uma mulher que conhece há poucas semanas.

“Blue Jasmine”

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  • Ano de Lançamento: 2013
  • País: Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título Original: Blue Jasmine
  • Diretor: Woody Allen
  • Avaliação: Pega a estatueta!

Em Blue Jasmine, Woody Allen retorna ao território americano após divagar por direções que prestam declarações de amor à Europa, como “Vicky, Cristina, Barcelona”, “Meia Noite em Paris” e “Para Roma com Amor”.

Em seu mais recente trabalho, conta-se a história de Jasmine (Cate Blanchett), uma ex-socialite forçada a deixar seu universo nova iorquino de luxo e extravagâncias, após ver a falência bater a sua porta pouco tempo depois de seu marido ir preso por crimes de fraude e corrupção. Sem alternativas, ela se vê obrigada a deixar Nova Iorque rumo a São Francisco, para morar com a desengonçada irmã mais nova, Ginger (Sally Hawkins)

Ao cair de paraquedas em um mundo completamente alternativo ao que estava acostumada, Jasmine entra em colapso. O filme é composto pela alternância entre flashbacks de sua antiga vida como milionária e o cenário atual. A enorme mansão belamente decorada é contraposta com o pequeno apartamento brega da irmã, os cartões de crédito ilimitados dão lugar ao emprego de recepcionista em um consultório médico. Os goles que a protagonista dá, por diversas vezes, na Stolichnaya da irmã retratam a dificuldade desta em se adaptar à nova vida. 

Outro ponto interessante é a diferença entre Hal (Alec Baldwin), o corrupto ex-marido de Jasmine, e os homens com quem Ginger se envolve ao longo da trama. Ao mesmo tempo em que a irmã mais velha julga os homens que a caçula escolhe como pobres, acomodados e indignos, ela se vangloria de ter tido um relacionamento com um homem fino, rico e que a tratava como uma rainha.  O filme acaba por fazer com que o espectador se afeiçoe pelos romances vividos por Ginger e se enoje com a vida vivida pelo casal high society.

O roteiro é quase coadjuvante à atuação de Cate Blanchett, que é óbvia candidata ao Oscar de Melhor Atriz em 2014. Não seria essa a primeira vez que Woody Allen oscariza um de seus atores. Diane Keaton, Penélope Cruz, e Michael Caine são alguns exemplos de premiados por atuações em filmes do diretor. Tão completo é o trabalho de Blanchett, que é capaz de ofuscar as ótimas atuações do elenco de apoio. Os divertidos Bobby Cannavale e Louis C.K. são responsáveis por, ao lado de Sally Hawkins, intercalar os momentos dramáticos e agregar uma veia cômica à trama.

Ao lado de Allen está uma equipe que mostra bastante afinidade. A fotografia, nas mãos de Javier Aguirresarobe, somada à direção de elenco da sempre fiel parceira de Allen, Juliet Taylor e a edição de Alisa Lepseltter, responsável pelo equilíbrio entre os flashbacks, tecem um filme claro, com a luz bem administrada, personagens marcantes e planos concisos.

Ao construir uma de suas protagonistas mais icônicas, Allen retorna às graças da crítica. Blue Jasmine é aprazível, desde seus créditos iniciais, clássico preto no branco, até seu final quase teatral.