Invencível

image

  • Ano de Lançamento: 2015
  • País: Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título Original: “Unbroken”
  • Diretor:  Angelina Jolie
  • Avaliação: A arbez

História real. Segunda Guerra Mundial. Soldado. Atleta. Bom moço. A segunda empreitada de Angelina Jolie na direção colocou no liquidificador todos os ingredientes necessários para conquistar os júris (e a Academia).

Invencível conta a história de Louis Zamperini (Jack O’Connell), sobrevivente de guerra e atleta olímpico. Louis passou quase cinquenta dias à deriva após a queda de uma avião de combate e foi resgatado pelos inimigos japoneses, tomado refém e mantido em condições sub-humanas.

Os primeiros minutos são eletrizantes. A tensão crescente em meio a  um campo – aéreo – de batalha domina a tela. A expectativa é atenuada por um início promissor, mas, daí pra frente caímos em queda livre, arrastados por uma narrativa incapaz de segurar a atenção do espectador.

Zamperini enfrenta bombardeios, dias em mar aberto, fome, queimaduras… A trajetória do atleta é composta por episódios de angústia e incerteza, elementos que se esvaem na abordagem rasa e quase calculada de Jolie. O filme se arrasta durante mais de duas horas, sem explorar o potencial da história e dos personagens.

O roteiro, co-assinado pelos irmãos Coen, William Nicholson e Richard LaGravenese, transforma o inesperado em previsível. A trama não se demora em questões como a relação do protagonista com a família, e o contraste entre as personalidades do atleta e dos companheiros de exército que dividiram com ele um pequeno bote por quase dois meses. Até mesmo a forte figura do inimigo é limitada a bordões inexpressivos e traços caricatos.

Jack O’Connell tenta, mas não consegue causar grande impacto. Tão morno quanto a narrativa, o ator não captura a essência do personagem principal. O restante do elenco segue o mesmo caminho, sem entregar nenhuma performance memorável. Domhnall Gleeson tem bons momentos, mas é mal aproveitado, e fica preso aos limites do papel. 

Jolie convocou um time de primeiro escalão para a produção de Invencível. A trilha sonora é de Alexandre Desplat (que concorre duas vezes ao Oscar 2015), a direção de fotografia é de Roger Deakings e o roteiro está nas mãos de um grupo de escritores consagrados. Excelente escalação, mas, a gente bem sabe que até time favorito pode perder de 7×1.

“Malévola”

image

A desconstrução de uma das maiores e mais conhecidas vilãs da Disney acontece na tela em “Malévola”. Com um orçamento nada modesto de 200 milhões de dólares, a trama é uma vitrine de efeitos visuais. Produzido e estrelado por Angelina Jolie, o filme é o primeiro trabalho de Richard Stromberg, mago dos efeitos especiais, como diretor. 

O reino dos Moors, habitado por criaturas fantásticas, divide fronteiras com um reino comandado por homens. A rivalidade dos territórios faz com que seus respectivos habitantes não se relacionem. Quando Malévola (Angelina Jolie), uma jovem fada, conhecem Stefan (Sharlto Copley), um garoto do reino vizinho, tem início uma amizade improvável. 

Malévola e Stefan crescem juntos, correndo pelos arredores dos Moors. A amizade evolui ao ponto de parecer nascer ali uma história de amor digna de contos de fadas. Mas, ao passar do tempo, Stefan se deixa levar pela ambição e trai Malévola pela chance de assumir o trono do reino em que vive. 

Destruída pela traição do melhor amigo, Malévola se transforma. A alegre protetora dos Moors dá lugar à amargurada e funesta inimiga do reino dos homens. Ao saber do nascimento da princesa Aurora (Elle Fanning, quando jovem), primogênita do agora rei Stefan, Malévola parte a caminho do castelo e concretiza sua vingança ao lançar um feitiço sobre a criança: ao completar dezesseis anos, Aurora cairá em um sono profundo que somente poderá ser quebrado com um beijo de amor verdadeiro. 

“Malévola” é o produto das mudanças no modo de produção cinematográfico, que vem sido concretizadas ao longo dos últimos anos, um filme construído quase que integralmente a partir de efeitos visuais. Stromberg usa influências de alguns de seus trabalhos passados, como “Avatar” e “Alice no País das Maravilhas”, para criar o quimérico mundo dos Moors. 

Angelina Jolie carrega o filme nos ombros, assume as rédeas da produção e traz à vida uma vilã icônica. Jolie domina cada contorno da personagem que interpreta, é absoluta em cativar o espectador, fazendo com que seja difícil desviar o olhar a cada vez que aparece em tela. A missão da atriz era complicada, reinventar uma figura já conhecida pelo público, aliás, não só reinventá-la como humanizá-la, trazer uma das maiores vilãs da Disney pros afagos da audiência. Ela consegue, e vai muito além ao apresentar uma das melhores atuações da carreira. 

O elenco é, em grande parte, competente. Fanning se torna refém de uma personagem sem muito espaço para grandes invenções interpretativas, a doce e ingênua Aurora não passa disso: doce e ingênua. Destaque para Sam Riley, que vive o simpático parceiro de Malévola, Diaval. As três fadas interpretadas por Lesley Manville, Imelda Staunton e Juno Temple são insossas, e facilmente esquecíveis quando Jolie entra em cena. 

O problema de “Malévola” é a falta de profundidade, ou até mesmo de certa ousadia no roteiro. Em uma Disney pós-Frozen, é necessária uma história que vá além do bê-a-bá dos contos de fadas, e ofereça ao espectador algo novo. Como em “Frozen”, o debate acerca de príncipes encantados e amor verdadeiro é explorado em “Malévola”, porém, não adquire a mesma força de seu antecessor. 

 “Malévola” mostra uma nova Disney, pronta para dissecar seus grandes vilões e mocinhas, capaz de se desapegar do príncipe encantado e das histórias de amor utópicas. Apesar dos pesares, o filme triunfa. Deixe de lado a princesa sem sal, a história sem muita ousadia e a superficialidade do roteiro, “Malévola” é filme pra se lembrar.