a arbez

Descompensada

  • Ano de Lançamento: 2015
  • País: Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título Original: Trainwreck
  • Diretor: Judd Apatow
  • Avaliação: A arbez

Estrelado e escrito por Amy Schumer, um dos maiores nomes da Hollywood atual, Descompensada vem cercado de expectativas. A promessa era de uma comédia irreverente, feminista e pronta pra desconstruir tabus e pré-moldes da indústria de entretenimento americana. Parecia ótimo. Até não ser.

Amy (a protagonista adota o nome da atriz principal. Inovador) tem um emprego bacana em uma revista de sucesso, um apartamento mais do que decente em uma boa área de Nova Iorque e a auto estima que toda mulher sonha em conquistar, apesar de não se encaixar nos padrões de beleza convencionais. É assumidamente ninfomaníaca, contrária à ideia de qualquer tipo de compromisso. Uma cama diferente por noite, buscando por sexo bom, fácil e simples. Tudo regado a muito álcool e maconha. Até se apaixonar cirurgião esportivo Aaron (Bill Hader).

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(Festival do Rio 2015) Terão De Nos Matar Primeiro

  • Ano de Lançamento: 2015
  • País: Reino Unido
  • Língua: Francês
  • Título Original: They Will Have To Kill Us First
  • Diretor: Johanna Schwartz
  • Avaliação: A arbez

Em uma sequência inicial promissora, o documentário financiado através do Kickstarter Terão de Nos Matar Primeiro é claro no tema que pretende abordar: a música. Através de um rap em francês, o filme situa o espectador no cenário atual de Mali, cuja região Norte vem sendo palco de conflitos políticos nos últimos quatro anos.

O povo maliano, como muitos outros povos africanos, tem uma relação intrínseca com a música. Como dito em um dos depoimentos no filme, a música acompanha a gente de Mali nos momentos de celebração e luto, alegria e tristeza. Porém, um dos frutos dos conflitos nortenhos em Mali foi a proibição da música na região, decisão que afetou profundamente os locais. O documentário se utiliza de músicos de algumas cidades do Norte, como Timbuktu, para ilustrar o efeito da proibição e quais as maneiras encontradas pelo povo para combatê-la.

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Para Sempre Alice

Jovem, no auge da carreira e consagrada pela publicação de pilares da Linguística americana, Alice Howland (Julianne Moore) descobre ser portadora do Mal de Alzheimer. A segurança, obtida através de uma vida de conquistas, é substituída pelo medo constante do esquecer.

Ainda agarrando-se ao que resta da racionalidade, Alice tenta planejar os dias com a ajuda de aparelhos eletrônicos e qualquer pedaço de rotina que possa conservar. A família, americana até dizer chega, consiste de um marido carinhoso e três filhos, completamente diferentes entre si. A chegada da doença da matriarca desenterra problemas antigos e desencadeia uma série de conflitos na casa dos Howland.

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Invencível

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  • Ano de Lançamento: 2015
  • País: Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título Original: “Unbroken”
  • Diretor:  Angelina Jolie
  • Avaliação: A arbez

História real. Segunda Guerra Mundial. Soldado. Atleta. Bom moço. A segunda empreitada de Angelina Jolie na direção colocou no liquidificador todos os ingredientes necessários para conquistar os júris (e a Academia).

Invencível conta a história de Louis Zamperini (Jack O’Connell), sobrevivente de guerra e atleta olímpico. Louis passou quase cinquenta dias à deriva após a queda de uma avião de combate e foi resgatado pelos inimigos japoneses, tomado refém e mantido em condições sub-humanas.

Os primeiros minutos são eletrizantes. A tensão crescente em meio a  um campo – aéreo – de batalha domina a tela. A expectativa é atenuada por um início promissor, mas, daí pra frente caímos em queda livre, arrastados por uma narrativa incapaz de segurar a atenção do espectador.

Zamperini enfrenta bombardeios, dias em mar aberto, fome, queimaduras… A trajetória do atleta é composta por episódios de angústia e incerteza, elementos que se esvaem na abordagem rasa e quase calculada de Jolie. O filme se arrasta durante mais de duas horas, sem explorar o potencial da história e dos personagens.

O roteiro, co-assinado pelos irmãos Coen, William Nicholson e Richard LaGravenese, transforma o inesperado em previsível. A trama não se demora em questões como a relação do protagonista com a família, e o contraste entre as personalidades do atleta e dos companheiros de exército que dividiram com ele um pequeno bote por quase dois meses. Até mesmo a forte figura do inimigo é limitada a bordões inexpressivos e traços caricatos.

Jack O’Connell tenta, mas não consegue causar grande impacto. Tão morno quanto a narrativa, o ator não captura a essência do personagem principal. O restante do elenco segue o mesmo caminho, sem entregar nenhuma performance memorável. Domhnall Gleeson tem bons momentos, mas é mal aproveitado, e fica preso aos limites do papel. 

Jolie convocou um time de primeiro escalão para a produção de Invencível. A trilha sonora é de Alexandre Desplat (que concorre duas vezes ao Oscar 2015), a direção de fotografia é de Roger Deakings e o roteiro está nas mãos de um grupo de escritores consagrados. Excelente escalação, mas, a gente bem sabe que até time favorito pode perder de 7×1.

“La Sapienza”

  • Ano de Lançamento: 2014
  • País: França
  • Língua: Francês/Italiano
  • Título Original: “La Sapienza”
  • Diretor:  Eugène Green
  • Avaliação: A Arbez

Sair em viagem a fim de tentar resolver os problemas acumulados no cotidiano. É dessa premissa que partem dezenas de filmes e é dessa premissa que parte “La Sapienza”, novo filme do diretor Eugène Green.

Alexandre (Fabrizio Rongione), um arquiteto francês, frustra-se com as limitações impostas pelos desejos da arquitetura moderna. A esposa, Aliénor (Christelle Prot), arrasta-se pelos encontros de trabalho sem qualquer motivação. Os dois reúnem-se em jantares vazios e obrigações impostas por um casamento falido. Quando Alexandre resolve partir pela Itália em busca de inspiração nas obras de seus ídolos, Guarini e Borromini, Aliénor decide acompanha-lo e quebrar a rotina maçante do casal.

A primeira parada é a bucólica Stresa, uma pequena cidade à beira-mar. Lá, o casal esbarra com os irmãos Goffredo (Ludovico Succio) e Lavínia (Arianna Nastro), um futuro estudante de arquitetura e uma jovem enferma. A partir desse encontro, a viagem bifurca-se: Alexandre segue a viagem na companhia de Goffredo, mestre e aprendiz percorrendo os roteiros arquitetônicos italianos; Aliénor permanece em Stresa, atraída a compreender e acalentar a fragilidade de Lavínia.

A estética do filme de Green é primorosa. A composição simétrica, os personagens sempre em primeiro plano, no centro da tela, olhares voltados para o espectador. O trabalho de câmera, quase uma aula de cinema. O embasamento histórico é tão intrinsicamente ligado ao enredo que assume a forma de personagem.

As cidades italianas tiram o fôlego do espectador, assim como a fotografia muito bem conduzida pelo antigo parceiro do diretor, Raphaël O’Byrne. A trilha sonora veste as imagens como uma luva. Um filme produzido milimetricamente.

Além da construção imagética, “La Sapienza” conta com excelente elenco. A rigidez de Ronglone, contraposta à melancolia da belíssima Christelle Plot. Aliás, destaque para Prot, que prende os olhares do espectador cada vez que entra em cena. A aposta nos novatos Ludovico Succio e Arianna Nastro é inteligente, fresca e – por muitas vezes – capaz tanto de suavizar quanto de intensificar a interação entre a dupla de protagonistas.

Apesar da bela composição, “La Sapienza” tropeça no roteiro. A proposta inicial, relacionar a arquitetura, o aproveitamento do espaço e da luz, à sabedoria é interessante. Porém mal desenvolvida. A linha narrativa é inconstante e o filme alastra-se em diálogos longos recheados de clichês. A força da linguagem estética é diluída pela inconsistência da estória. O rigor com que são dirigidos os personagens é inicialmente incômodo e, seria digest se acompanhado por um bom texto, o que não acontece. Como diretor, Green entrega um belo filme, como roteirista, falha brutalmente.

“O que há além da beleza e da ciência?”, o filme propõe-se a responder. A beleza é inegavelmente vista em tela; a ciência está ali através da decomposição das obras dos grandes mestres barrocos. É. O que há, enfim, além da beleza e da ciência, Green? Talvez seja uma boa estória.