Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi

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  • Ano de Lançamento: 2017
  • País: Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título Original: Mudbound
  • Diretor: Dee Rees
  • Avaliação: Pega a estatueta

Dois jovens voltam da Segunda Guerra Mundial e precisam se readaptar à vida fora do campo de batalha. Entre eles, um grande abismo: Jamie (Garrett Hedlundé irmão do dono da fazenda onde trabalha a família de Ronsel (Jason Mitchell). Um, branco e abastado, o outro, negro e vivendo uma luta diária contra a esmagadora opressão gerada pelo racismo no Sul dos Estados Unidos da época. Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi narra a história da amizade improvável entre os dois e as consequências dessa relação.

Antes de mais nada, é uma pena que o filme não tenha tido a distribuição que merecia. Comprado pela Netflix, a obra de Dee Rees está ameaçada de se tornar só mais um título no vasto catálogo da gigante, mesmo com todo o buzz a ele atribuído, além de ter chegado somente a uma pequena quantidade de salas de cinema americanas. Felizmente, no Brasil, Mudbound pode ser visto em algumas salas – e merece ser visto dessa maneira, em grande parte pelo primoroso trabalho de Rachel Morrison. Não à toa, Morrison se tornou a primeira mulher indicada à categoria de Melhor Fotografia em toda a história do Oscar.

A fotografia varia entre tons de marrom e verde durante quase toda a narrativa, pontuando momentos cruciais através do uso das duas cores principais. Quando o filme aborda as duras experiências de Jamie e Ronsel durante a guerra, Morrison traz à tela tons de vermelho, manchando as passagens; o fim da Guerra traz os fortes tons de branco, tanto no céu claro quanto nas paredes do quarto da amante de Ronsel, ambos momentos de pura liberdade vividos pelos dois personagens.

Além de Morrison, Mudbound deve muito ao trabalho de Dee Rees. A diretora, cujo ótimo primeiro filme “Pariah” foi aclamado criticamente (entre os dois trabalhos, Rees também dirigiu a biografia “Bessie” para a HBO), gerou um considerável burburinho a respeito de sua próxima empreitada. Nas mãos de Rees, a adaptação do livro de Hillary Jordan ganhou o respeito e a atenção necessários às questões em torno da família de Ronsel, os Jacksons. A diretora reescreveu o primeiro rascunho de roteiro que tinha na mesa e levou Mudbound à uma direção certeira.

É surpreendente que Mudbound não tenha sido indicado a Melhor Filme no Oscar 2018, especialmente levando em consideração a mudança recente que fez com que a categoria passasse de 5 a 9 indicados. A obra de Dee Rees poderia facilmente ocupar a vaga de um filme como “The Post: A Guerra Secreta”, que passa bem longe de melhor filme em qualquer ano da premiação. Enfim… O underdog Mudbound provoca uma contemplação intensa e necessária em um momento que não poderia ser mais oportuno. E isso, meus caros, vale mais do que qualquer estatueta.

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