The Square: A Arte da Discórdia

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  • Ano de Lançamento: 2017
  • País: Suécia
  • Língua: Sueco/Inglês
  • Título Original: The Square
  • Diretor:  Ruben Östlund
  • Avaliação: A arbez

Ao questionar uma jovem repórter americana sobre o que é arte, Christian (Claes Bang), curador-chefe de um importante museu de arte moderna em Estocolmo, dá o pontapé inicial em The Square, filme do diretor e roteirista sueco Ruben Östlund, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2017 e indicado ao Oscar 2018 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

O filme é pretensioso e entrega menos do que promete. Östlund age como um chef de cozinha inábil, que tenta disfarçar o gosto insosso do que serve com pitadas de temperos arbitrários, a fim de mascarar a falta de destreza. No entanto, um cliente com paladar apurado logo percebe a falcatrua, assim como um espectador atento.

Há momentos em que The Square parece – enfim – engrenar, como nas cenas entre Claes Bang e Elizabeth Moss, especialmente o momento em que os dois discutem o teor de seu relacionamento em um dos salões do museu, uma das melhores cenas do filme. Mas, o encantamento dura pouco. Antes que se perceba o momento se dissolve e a narrativa volta a seu estado primordial de confusão. O produto final é uma colcha de retalhos, que deixa a sensação permanente de algo faltando.

Quem sabe a maior oportunidade perdida de Östlund tenha sido Terry Notary. O dublê, ator e coreógrafo americano brilha em um dos momentos mais desperdiçados da trama. A cena do jantar de gala no museu começa mais promissora do que qualquer passagem anterior, mas joga seu clímax pelo ralo. O desconforto que se propõe a causar nada mais é do que gratuito e a performance extraordinária do ator fica à mercê do roteiro atrapalhado.

The Square sucumbiu à ambição, quis demais, fez de menos. O debate central do filme bem que poderia funcionar, caso explorado sem as firulas incontáveis do diretor, que nada mais fizeram do que desviar a atenção da boa polêmica que tinha em mãos. Talvez levar a Palma de Ouro tenha sido o maior favor prestado pelo filme, pois inflama sua questão inicial: o que é arte? Será ela projeção a favor de realização?

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