Personal Shopper

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Maureen (Kristen Stewart) vive em Paris e divide seu tempo entre o trabalho de personal shopper, servindo a uma jovem fashionista e suas habilidades como médium, quase inteiramente focadas em estabelecer contato com o irmão que faleceu recentemente. Ao começar a receber mensagens de um desconhecido, embarca em um thriller psicológico com desdobramentos envolvendo tanto sua vida profissional quanto pessoal.

Enquanto em Acima das Nuvens, trabalho anterior do cineasta francês, a protagonista batalhava contra o envelhecer, em Personal Shopper Assayas, que assina tanto o roteiro quanto a direção, traz uma protagonista que precisa deixar para trás a memória de um ente querido. Ambas lutam suas batalhas em refúgios: enquanto a primeira se isola nos Alpes suíços, a segunda agarra-se à cidade onde estão frescas as lembranças de quem perdeu.

Kristen Stewart tem evoluído em trabalhos recentes, mas ainda está longe de ser a grande promessa desta geração, como muitos colocam. É uma atriz limitada, cujas boas performances estão diretamente ligadas à escolha certa dos papéis. Falta a versatilidade necessária para que possa alcançar o próximo nível. A atriz ainda não é capaz de sustentar plenamente o papel de protagonista e faz com que seja mais fácil se desinteressar pela personagem que interpreta. Justiça seja feita, Stewart, aqui, não tem muito com o que trabalhar. Maureen é uma personagem rasa, que ameaça aprofundar questões existenciais interessantes, sem nunca realmente fazê-lo.

Se há algo há ser ressaltado em Personal Shopper é o recurso de ilustrar os diálogos entre presa e predador através da tela de um celular. A troca de mensagens é eficaz em criar a tensão necessária para que se torne ligeiramente crível a premissa da relação entre os dois. A forma como as interações entre os dois são registradas em tela mostra como é possível utilizar o celular como recurso narrativo sem cair na estética de filmes para um público mais jovem, que abusam da técnica.

O que fica é a impressão de que Personal Shopper é uma colcha de retalhos. É difícil entender as escolhas de Assayas, que picota a narrativa, adicionando sem pudor, privando a trama da unicidade necessária para contar decentemente ao menos um dos vários enredos paralelos. O filme se arrasta, sem nunca realmente engatar. Ao mirar na complexidade de uma trama sustentada pelo malabarismo, o diretor acertou na confusão de uma estória sem eira nem beira, que, ao terminar, deixa um rastro de falhas narrativas. Não funciona.

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