Uma Família de Dois

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Em um deque de resort, em um dia ensolarado típico do verão no Sul da França, Samuel (Omar Syse vê sozinho com um bebê de três meses deixado por uma moça com quem havia passado uma noite da qual mal se lembrava. Com o intuito de buscar a mãe do bebê, Samuel deixa para trás a vida de festas e mulheres que tinha na França e segue rumo a Londres. Sem sucesso, o pai passa a criar a menina Gloria (Gloria Colston) em terras Londrinas. É esta a trama central de Uma Família de Dois, filme francês dirigido por Hugo Gélin.

O roteiro é construído de maneira inteligente, jogando pistas que não pedem por um Sherlock Holmes, mas, ao mesmo tempo, fazem com que o filme desvie dos buracos do previsível. Os roteiristas entendem que, aqui, não se trata de grandes complexidades estruturais, e entregam o necessário para construir o tom leve da narrativa. Tinham nas mãos a dificuldade quase malabarista de equilibrar dois gêneros que podem funcionar muito bem ou desmoronar quando se trata de roteiro: a comédia e o drama. Por vezes, a trama parece tropeçar, mas ergue-se novamente. O resultado é a divisão clara entre os momentos pertencentes a um dos dois gêneros. Faltou aqui, há de se ressaltar, um maior – ou melhor desenvolvido – terceiro ato. O desfecho mais parece um breve epílogo e deixa no ar a vontade de maior aprofundamento de certas questões.

Omar Sy entrega uma bela atuação. Leve apesar das tensões do roteiro, assim como em Os Intocáveis, filme que o lançou de vez às graças do público. O ator engrandece cada vez que aparece em tela, mostrando nuances bem talhadas ao longo da narrativa. Sua companheira, Gloria Colston, é uma bela surpresa. Juntos, a dupla desempenha bem a função de tecer um vínculo emocional importante com o espectador. Ao vê-los lado a lado, desejamos que sua história siga rumo ao felizes para sempre e – caso contrário – o filme não funcionaria de maneira tão plena. Vale a menção à Antoine Bertrand no papel do divertido sidekick Bernie. Bertrand compõe um personagem que passa raspado na linha do caricato, mas o evita com graça.

Os momentos finais poderiam facilmente ter caído na armadilha do apelativo, mas não o fizeram. Apesar de breve, a resolução é bem executada. Tudo caminha belamente para o monólogo final do protagonista, que nos arremata de vez, nos fazendo esquecer momentaneamente da falta de organicidade provocada pelo passo rápido com o qual corre a narrativa em seus últimos minutos. Uma Família de Dois se consagra pelo simples, pela sutileza com a qual aborda um tema difícil. Em tempos de bombardeio constante, vale a pena se deixar emocionar.

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