La La Land: Cantando Estações

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Não se deixe enganar pelos primeiros cinco minutos: La La Land não se trata de um filme sobre Tracy Turnblad e Link Larkin, prometo. O novo filme do diretor Damien Chazelle, de Whiplash, segue Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling), dois artistas – ela atriz, ele músico – em busca da grande chance em Hollywood. Enquanto Mia tenta a sorte em testes sem fim em estúdios, Sebastian sonha com o dia em que abrirá um clube de Jazz capaz de ressuscitar o ritmo em declínio enquanto ganha o pão como pianista em restaurantes medíocres.

A química de Stone e Gosling é palpável. Juntos, fazem muito do pouco. La La Land não é um filme de personagens e não tem essa ambição. O casal de protagonistas lapida dois papéis rasos e os transforma em adoráveis representações genéricas de qualidade pouco vista em grandes filmes recentes. Stone é irretocável. Quando em tela, não há como desviar o olhar. A atriz faz dos momentos amenos o alívio cômico necessário para entregar o espectador de bandeja para os pontos mais tensos, que domina com tanto talento quanto os anteriores. É tiro certo.

É interessante ver Chazelle delimitar seu estilo. Um diretor jovem, traduz o frescor da pouca idade com um malabarismo de escolhas visuais que montam a narrativa, experimentando sem medo. O diretor transmite segurança ao se dar a liberdade de brincar com diferentes abordagens, coisa que fez mais timidamente em Whiplash. Fica clara também sua relação forte com a construção de seus finais, incertos até os 45 do segundo tempo. O diretor entrega ao espectador uma infinidade de possibilidades, dançando com a expectativa até bater o martelo por definitivo.

Ao relevar os tropeços de roteiro e os floreios sem fim, nos colocamos diante de um filme que nos faz mais leves em um momento em que leveza é oásis no deserto. Poderia ter meia hora a menos? Talvez. Dois ou três números musicais a menos? Talvez. Mas tem horas em que é preciso jogar a toalha: gostamos do que vemos, apesar dos pesares. Queremos gostar pois é agradável ver um casal se apaixonar ao som de jazz, a mocinha alcançar o sonho de uma vida inteira e o mocinho triunfar – mesmo longe dela. Nos desligamos dos noticiários funestos e mergulhamos de cabeça nesse mundo imaginário proveniente de uma cruza entre Grease e um best-seller motivacional, tudo isso embalado de maneira fresca.

A sensação ao sair da sala de cinema é a de que se tem em mãos o potencial de alcançar o que bem se pretende. É gostoso, anestésico e necessário. Enganam-se aqueles que nos tomam como tolos por nos deixar cair nos braços de um romance idealizado ao som de John Legend. Acreditam que acreditamos que a fantasia seja real. Ah… Tolos são os outros, que não possuem a capacidade de deixar-se levar. Não dançam. Não tentam. Não vivem.

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