Amor por Direito

freeheld

A vida de um casal é virada de cabeça pra baixo com a descoberta de um câncer terminal. Temos aí meia dúzia de blockbusters americanos que vêm à ponta da língua em menos de dois minutos. Amor Por Direito, no entanto, caminha por outra via.

Laurel (Julianne Mooree Stacie (Ellen Page) se conhecem em uma partida de vôlei a quilômetros da cidade onde mora a primeira. Isso porque Laurel é detetive de polícia e não vê como uma opção assumir-se lésbica para o conjunto de seus colegas declaradamente homofóbicos. Após conhecer Stacie, a detetive vai – aos poucos – vivendo uma vida longe dos esconderijos que criara pra si mesma.

A Juliane Moore que ganhou os olhos do mundo ao despir-se para as lentes de Robert Altman na década de 90 despe-se agora de outra maneira. A pele marcada pelos anos abdica dos quilos de maquiagem para tornar-se moldura dos olhos verdes que concentram todo o poder de atuação da ruiva. A câmera de Peter Sollett não pede licença ao enquadrá-la, acompanhando-a de perto, com cuidado. Moore é aqui muito maior do que foi em Para Sempre Alice, apesar da intensidade do trabalho ser mais singela.

O elenco funciona. Steve Carell reencontra o humor e é dele alguns dos melhores diálogos da trama. Page vai bem ao lado de Moore, provocando um contraste necessário em tela. A atriz consagrada por Juno deixa de lado uma imagem que perdurou tempo suficiente para nos questionarmos se algum diria iria embora. O roteiro é bom o suficiente para promover uma reflexão, mas não forte o bastante para render louros ao roteirista Ron Nyswaner. A direção de Sollett é precisa, sem floreios, e mostra um diretor mais maduro, mais ousado do que aquele que vimos em Nick & Norah: Uma Noite de Amor e Música. Oito anos separam as duas obras e espero que menos tempo se passe até que vejamos um novo longa do diretor.

Para os de boa cabeça, é impensável que o debate acerca dos direitos LGBT ainda seja tão necessário em 2016. Mas é. E são filmes como Amor por Direito que tornam a causa ainda mais visível. É bater na mesma tecla, verdade, mas é preciso que nela se bata até que vigorem as leis igualitárias.

Amor por Direito é uma boa história e Juliane Moore. Não vai muito além. O elenco é estável e o roteiro bem formulado, mas a trama fica com aquele gostinho de filme pra fim de tarde de domingo com os amigos. Talvez o maior mérito do longa seja não transformar o casal protagonista em um estandarte, alegoria feita somente para carregar a bandeira de uma causa da qual não querem se tornar representantes. São duas mulheres imersas em sua história particular, sem fazer questão de torná-la estopim de uma revolução que não assinam.

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