O Regresso

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O Regresso, ou O Calvário Do Mais Azarado Dos Caçadores Americanos, novo filme de Alejandro Iñárritu baseado no livro de Michael Punke, é a narrativa visual da saga do caçador Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), que percorre as geladas florestas dos Estados Unidos em busca de vingança. O caçador, deixado à beira da morte pelos companheiros de expedição, precisa lutar contra as limitações do corpo dilacerado por um urso selvagem e os obstáculos impostos pela natureza, numa espécie de mistura entre Into The Wild e Os Oito Odiados.

As redes sociais adotaram DiCaprio e reivindicam a estatueta do ator como se esta fosse a maior injustiça já cometida pela Academia. Eventos no Facebook combinam um encontro na Avenida Atlântica caso o americano leve o Oscar este ano. Uma comoção internacional de proporções inéditas. Pena que essa mobilização se dê justo no ano em que DiCaprio apresenta a mais medíocre de suas performances recentes. Não me entenda mal, Leo é notável. Faz com que torçamos por longos silêncios melancólicos em um blockbuster hollywoodiano, mas, o que apresenta aqui não chega aos pés do que vimos em O Lobo de Wall Street (papel que também lhe rendeu uma indicação) ou Django Livre. Se levar, não é injusto, é somente o carimbo da Academia ao final da página de um atestado antigo de que premia atores certos pelos papéis errados.

Se DiCaprio já foi melhor em filmes passados, Hardy é o oposto. Dois mil e quinze/dezesseis consagrou o ator com dois dos melhores papéis de sua carreira: John Fitzgerald e Max Rockatansky. Enquanto Leo impressiona nos momentos de silêncio, Hardy faz seu caso em surtos verborrágicos controlados com a precisão necessária. Outro abençoado nesse ano que se passou foi Domhnall Gleeson. Com O Regresso, o irlandês aumenta não só sua lista de mocinhos como sua lista de atuações em filmes indicados ao Oscar 2016: são quatro. Na pele do Capitão Andrew Henry, Gleeson mostra nuances antes não vistas em sua atuação e nos deixa ansiosos por seus trabalhos futuros.

A fotografia de Lubezki pode lhe render o terceiro Oscar. O Regresso é lindo. Frame após frame de uma preciosidade estética de quem sabe bem o que faz. As locações ajudam, claro, mas o trabalho do mexicano é louvável. Ao lado de Iñárritu, cria o visual que coloca o espectador em um transe fílmico inteligente, capaz de mascarar as inúmeras falhas do roteiro.

O Regresso é vitrine e funciona como isca para aqueles em busca de novos efeitos visuais e truques de computação gráfica. Esteticamente, pode embasbacar o espectador, mas não engana aqueles que sabem identificar uma boa estória. Iñárritu é ilusionista e sabe que, se puxar o três de copas, os passantes vão ao delírio. Mas – como entreter a plateia quando a manga encurtar e a carta for ao chão?

 

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