Star Wars: uma não-crítica afetiva

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Aos onze anos, durante uma aula de Filosofia em um colégio em Nova Friburgo, assisti Star Wars pela primeira vez. A professora, simpática mãe de uma colega minha, deu play em A Vingança dos Sith, que começou a rodar na antiga televisão de caixa meio empoeirada da escola. Nossa turma tinha seis alunos e os seis, sem exceção, não entenderam nada. Senado intergaláctico? Sabres de luz? O que diabos é a Força? Mas, apesar da confusão inicial, continuamos com os olhos grudados na televisão.

Quando a professora desligou a TV, éramos um grupo silencioso. Não sabíamos nem por onde começar. Nossa tutora começou a divagar por conceitos básicos da Filosofia, explorando os conflitos internos de Anakin e o que a decisão do protagonista viria a desencadear. Não me leve a mal, eu sou apaixonada por Filosofia, mas sou ainda mais apaixonada por Cinema. Sentada ali, no auge da infância, não conseguia me concentrar. Não tinha entendido muita coisa, verdade, mas queria mais.

Morando em uma casa sem computadores ou TV a cabo, assistir Star Wars se tornou uma missão impossível. Dois anos se passaram até que eu colocasse as mãos nos cinco filmes anteriores. Aí pronto. Foi um tal de wookie pra cá, droide pra lá. Comprei todas as camisetas possíveis estampadas com o famigerado capacete negro de Darth Vader. Me achava bacana a beça por gostar do vilão. Pré-adolescente diferentona.

Assim que a pré-venda de ingressos pra pré-estreia de O Despertar da Força abriu, corri que nem maluca pra garantir meu lugar. Consegui. Esperei, esperei, esperei e a quinta-feira chegou. Acordei cheia de marcas pelo corpo, pelando em febre… Zika vírus. Sensacional. Esperei mais uma semana, caminhando por entre o campo minado que se tornaram as redes sociais. Foram incontáveis malabarismos para não esbarrar nos spoilers espalhados por aí.

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Quando, enfim, consegui correr pra um cinema, a atmosfera já não era a mesma. Não trombei com adultos vestidos de Luke Skywalker, e ninguém portava um sabre de luz. Ninguém prendeu o ar nos créditos iniciais, ou tentou abafar um grito torto quando Han Solo apareceu em tela. A excitação, no entanto, era palpável. Uma sala inteira tal qual meu eu de onze anos: sem desgrudar os olhos da tela. Quase não piscavam.

O Despertar da Força é sensacional. É despretensioso e megalomaníaco, clássico e fresco. Agrada gregos, troianos, fulanos, ciclanos, críticos do Globo e cinéfilos em fóruns do Reddit. É pra emocionar fãs antigos e catequizar novos. J.J. Abrams realizou a proeza de criar um Star Wars com gosto de Star Wars. Os elementos que fizeram da saga uma febre na década de 80 voltam repaginados, mas com a essência original – e mais: dão origem a novos conflitos e personagens com capacidade de sustentar os capítulos seguintes.

Enquanto rolavam os créditos finais, a exaltação deu lugar ao contentamento. Uma alegria gostosa que só o pertencimento proporciona. Ali, naquela poltrona de cinema, me senti pela primeira vez pertencer à geração Star Wars. Uma nova leva, que substitui o saudosismo pela perspectiva. E que perspectiva. Mal posso esperar.

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