Mês: janeiro 2016

Carol

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Que a intolerância ainda permeia a sociedade contemporânea é inegável. Em tempo de Trumps e Bolsonaros, narrativas que evocam a luta por igualdade e direitos civis são mais do que necessárias. O novo filme do diretor americano Todd Haynes conta a história de Carol (Cate Blanchett), mulher de classe média alta na Nova Iorque dos anos 50 que – durante as festividades natalinas – apaixona-se por Therese (Rooney Mara), uma vendedora de brinquedos.

A protagonista enfrenta um divórcio conturbado, uma briga judiciaria pela guarda da filha e os olhares desconfiados daqueles que ouviram os rumores de violações às condutas de moral da época. Ao decidir fugir com uma moça mais jovem, Carol vai contra não só o futuro ex-marido, mas todo o grupo social ao qual pertence. Therese, por sua vez, despacha o pretendente e o emprego medíocre em uma loja de departamentos para embarcar em uma viagem sem rumo certo ao lado de uma mulher que conhece há poucas semanas.

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Star Wars: uma não-crítica afetiva

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Aos onze anos, durante uma aula de Filosofia em um colégio em Nova Friburgo, assisti Star Wars pela primeira vez. A professora, simpática mãe de uma colega minha, deu play em A Vingança dos Sith, que começou a rodar na antiga televisão de caixa meio empoeirada da escola. Nossa turma tinha seis alunos e os seis, sem exceção, não entenderam nada. Senado intergaláctico? Sabres de luz? O que diabos é a Força? Mas, apesar da confusão inicial, continuamos com os olhos grudados na televisão.

Quando a professora desligou a TV, éramos um grupo silencioso. Não sabíamos nem por onde começar. Nossa tutora começou a divagar por conceitos básicos da Filosofia, explorando os conflitos internos de Anakin e o que a decisão do protagonista viria a desencadear. Não me leve a mal, eu sou apaixonada por Filosofia, mas sou ainda mais apaixonada por Cinema. Sentada ali, no auge da infância, não conseguia me concentrar. Não tinha entendido muita coisa, verdade, mas queria mais.

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Garotas

Girlhood film - 2015

Em uma das cenas mais bonitas do cinema em 2014, quatro garotas dançam ao som de Rihanna em um quarto de motel barato iluminado em tons de azul. O rito de passagem marca o momento em que Marieme torna-se Vic, membro de uma gangue feminina de um conjunto habitacional francês.

Ao ser reprovada na escola pela terceira vez seguida, Marieme se vê presa em um beco sem saída. A família de quatro filhos e mãe solteira se amontoa em uma quantidade ínfima de metros quadrados cujo rei, o irmão mais velho, se mantém no trono de maneira abusiva. Quando um trio de garotas da área lhe estende a mão, a jovem se conforma com uma rotina de pequenos delitos em troca da aceitação sem grandes questionamentos.

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