Descompensada

  • Ano de Lançamento: 2015
  • País: Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título Original: Trainwreck
  • Diretor: Judd Apatow
  • Avaliação: A arbez

Estrelado e escrito por Amy Schumer, um dos maiores nomes da Hollywood atual, Descompensada vem cercado de expectativas. A promessa era de uma comédia irreverente, feminista e pronta pra desconstruir tabus e pré-moldes da indústria de entretenimento americana. Parecia ótimo. Até não ser.

Amy (a protagonista adota o nome da atriz principal. Inovador) tem um emprego bacana em uma revista de sucesso, um apartamento mais do que decente em uma boa área de Nova Iorque e a auto estima que toda mulher sonha em conquistar, apesar de não se encaixar nos padrões de beleza convencionais. É assumidamente ninfomaníaca, contrária à ideia de qualquer tipo de compromisso. Uma cama diferente por noite, buscando por sexo bom, fácil e simples. Tudo regado a muito álcool e maconha. Até se apaixonar cirurgião esportivo Aaron (Bill Hader).

Bom, resumindo: Amy é o típico cara babaca de comédia romântica. Só que mulher. E acredita fielmente que somente a inversão de gênero possibilita ver a trama como feminista. Sua auto afirmação é quase didática, como se repetisse pra si mesma o quão revolucionária é por oferecer ao público uma mulher que gosta de sexo e álcool e se orgulha disso. A evolução da personagem traz resoluções de conflito com raízes quiçá mais misóginas do que as que vemos em comédias românticas “tradicionais”, com subversões que remam ao contrário de tudo aquilo que a roteirista diz pregar.

O roteiro é insosso, medíocre e acomodado, como se mastigasse todos os clichês de filmes anteriores e tentasse recicla-los de modo oposto, só pra ir diretamente a seu encontro. As piadas são prontas, o humor forçado, e a pouca química entre os personagens não ajuda. A Amy de Descompensada encontra dificuldade em desvencilhar-se da Amy Schumer cujo rosto estampa metade das capas de revista de 2015, complicando o desenvolvimento da protagonista.

O melhor de Descompensada é inesperado e atende pelo nome de LeBron James. A atuação do jogador é sensacional, e os momentos que divide em cena com Bill Hader são, sem dúvida, os melhores da trama. Por falar em Hader, que os méritos lhe sejam entregues. O ator tem boa performance, e não pode ser culpado pelas deixas atrapalhadas da parceira. Tilda Swinton e Ezra Miller, novamente juntos, funcionam mais do que bem, com a vencedora do Oscar arrancando gargalhadas na pele da editora Dianna.

Schumer promete, mas não cumpre. Entrega nada além do medíocre. Descompensada pode divertir, mas não passa disso. A atriz tinha os olhos do mundo voltados pra ela, e a oportunidade de disseminar ideais que – apesar de apoiar na teoria – aqui não pratica. As rendições de Amy (a personagem) reforçam um arquétipo distorcido da mulher na sociedade atual, ao invés de evocar o debate e uma possível desconstrução mais do que necessária. Transgressora, até esbarrar no príncipe encantado. Quase uma Simone de Beauvoir.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s