(Festival do Rio 2015) Dora Ou As Neuroses Sexuais De Nossos Pais

  • Ano de Lançamento: 2015
  • País: Alemanha
  • Língua: Alemão
  • Título Original: Dora oder Die sexuellen Neurosen unserer Eltern
  • Diretor: Stina Werenfels
  • Avaliação: Qual era mesmo?

Ao atingir a maioridade, Dora (Victoria Schulz) começa a experimentar a sensação dos primeiros desejos sexuais. Essa manifestação um pouco tardia se deve ao fato de Dora ser portadora de deficiência mental e estar – pela primeira vez na vida – livre das algemas dos comprimidos, cortados pela mãe (Jenny Schilylogo após o aniversário da menina.

Ao flagrar os pais na cama, Dora é apresentada pela primeira vez ao conceito de sexo, ou “pipi na pepeca”, eufemismo concebido pela menina. A partir daí, a moça desenvolve uma certa obsessão pelo assunto, correndo aos prantos ao perceber que os colegas mais próximos namoram, mas ela não; masturbando-se na banheira em frente à mãe e tentando beijar o pai.

Uma tarde, Dora resolve ir atrás de um dos clientes (Lars Eidinger) da barraquinha de frutas e hortaliças na qual trabalha. Sem entender a dinâmica do flerte, Dora segue o homem até uma estação do metrô, onde é estuprada em uma das cenas mais fortes do filme. Presa em uma espécie de Síndrome de Estocolmo, Dora se apaixona pelo agressor e passa a encontra-lo regularmente. Essa relação desregulada e o modo como isto afeta os pais da moça são os pilares de sustentação da trama.

O filme é desconcertante. Faz com que o espectador experimente uma torturante sensação de impotência, vendo a menina ser devorada pelo predador em tela. Mas, apesar de nos incomodar, não ousamos nos imaginar na pele dos pais de Dora. Não sabemos lidar com aquilo que não se conversa, com um dos mais complexos tabus da sociedade moderna. Condenamos o que vemos, mas não temos a menor ideia do que faríamos se assumíssemos o lugar dos personagens.

O filme usa a premissa como muleta, e fisga espectadores pelo plot curioso. Em termos de cinema, falha. O desfoque da lente ao assumir o ponto de vista de Dora poderia ser uma ferramenta interessante, mas só serve pra incomodar quem assiste. A ambição em ser um filme reflexivo, cult, por muitas vezes perpassa o bom senso. O roteiro se abre pra questionamentos intermináveis, secando sua credibilidade. Os personagens são “quase-desenvolvidos”, nos deixando ansiosos para desfechos nunca concluídos.

Do filme, tiramos a bela atuação de Jenny Schily. Enquanto Victoria Schulz deixa (muito) a desejar, Schily domina as nuances de sua personagem e é difícil desviar os olhos quando ela entra em cena. Quando as tais neuroses do título por fim decidem aparecer, é através dos conflitos de Kristin, e Schily os expõe com muita competência. Eidinger também convence na pele do maníaco Peter, tipo de papel que o cai muito bem.

Dora, Ou As Neuroses Sexuais de Nossos Pais tem uma linguagem cinematográfica mal definida, personagens mal construídos e roteiro mal desenvolvido. Mas, a estranheza gerada pelo arco central faz com que eu torça por um possível remake, arquitetado com a atenção que fora negada nesta adaptação da peça de Lukas Barfüss. Me dói ver uma boa estória ofuscada por um mau filme. Aguardemos.

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