Ex Machina

  • Ano de Lançamento: 2015
  • País: Reino Unido
  • Língua: Inglês
  • Título Original: “Ex Machina”
  • Diretor: Alex Garland
  • Avaliação: Pega a estatueta

Dos conflitos primordiais da esfera humana planta-se a raiz do artificial. Um tema recorrente no cinema volta à tona pelos olhos do diretor estreante Alex Garland em uma espécie de distopia controlada. Um gênio milionário (Oscar Isaac), um tímido programador (Domhnall Gleeson) e Ava (Alicia Vikander), uma forma evoluída de inteligência artificial no molde de uma bela moça de vinte e poucos anos.

Para criar a mais sintética das invenções, Nathan se isola no meio da natureza quase virgem. Ava caminha pelos jardins internos do refúgio do cientista, o tronco mecânico emoldurado por folhas, galhos e raízes. O anfitrião circula do laboratório de paredes alvas e mais alta tecnologia ao pequeno sobrado construído em meio as montanhas, onde senta pra ver o cair das águas. É o natural versus artificial. Na nossa cara. O tempo todo. Só não vê quem não quer.

Por mais programável que seja o eletrônico, em Ex Machina é o homem aquele dotado da previsibilidade. Nathan importa da cidade um macho, jovem, solteiro e entrega em suas mãos o santo graal das atividades masturbatórias. Caleb funciona quase que em código binário, cumprindo uma por uma todas as etapas pré-programadas por Nathan, que ao longo da trama expõe os próprios desejos e perversões.

Os dois protagonistas masculinos são amostras não-específicas de uma sociedade que não vemos em tela. Recortes. Enquanto Nathan esconde-se num casulo separado do mundo, Caleb é o eremita urbano, sem amigos, sem namorada, desprovido de uma visão periférica ao passar os dias a trabalhar para o império do magnata. Ava é, para os dois, a resposta à mais básica das necessidades humanas: a interação social. E como se ópio fosse, torna-se indispensável.

A atmosfera de Ex Machina é de uma tensão quase sensual. No trabalho de cores, passamos do cru aos tons de vermelho, da luz que transborda ao monocromático caótico criado pelos piques de luz na casa de Nathan. A trilha sonora induz o espectador aos clímaces, e se encarrega muito competentemente de embalar a narrativa.

O trio principal funciona tão bem junto que nos deixa até em dúvida. Quase bom demais pra ser verdade. Três das maiores apostas dessa nova safra Hollywoodiana, Gleeson, Isaac e Vikander nos fazem crer que para eles foram escritos os personagens. Garland, que já provou destreza como roteirista em filmes como Não Me Abandone Jamais e Extermínio, estreia como diretor em um filme que deixa críticos e cinéfilos ansiosos pelo que vem a seguir.

Ao final de Ex Machina, estamos tão envolvidos que entramos em paranoia. Olhamos pro lado, em uma desconfiança compulsiva de tudo e de todos. Já não se sabe mais quem é quem, quem é o que, ou quem é o que. Estamos tão absortos nessa possibilidade nem tão distante, que esquecemos o quanto do agora está em tela. Não é futurismo, é realidade, e o que nos incomoda é vê-la bater à nossa porta, tão presente que já não se pode mais ignorar. Será que passaríamos no Teste de Turing?

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