O Despertar de Rita

  • Ano de Lançamento: 1983
  • País: Reino Unido
  • Língua: Inglês
  • Título Original: “Educating Rita”
  • Diretor:  Lewis Gilbert
  • Avaliação: Pra parar e refletir

Quando Rita (Julie Waltersentra no escritório de Frank Bryant (Michael Caine), um dos diálogos mais interessantes do cinema britânico se inicia. A cabelereira de sotaque puxado e confiança aparente instiga a figura clássica do professor-universitário-poeta-fracassado.  A relação que ali se inicia é o motor de O Despertar de Rita, filme de Lewis Gilbert baseado na peça de Willy Russell.

Frank, que a muito sucumbiu às adversidades do ramo, vê na nova estudante um sopro de ar fresco. O olhar de Rita, ainda não educado, é como tábula rasa, pronto para ser moldado sem quaisquer vícios ou preconceitos. Resta ao professor a escolha de Sofia: educar a cabelereira sob as doutrinas acadêmicas ou manter o frescor de uma mente ainda intocada?

Ao invés de rodar em volta de enredos secundários, a O Despertar de Rita foca na relação aluno-professor, apostando em diálogos inteligentes como base do roteiro. O mundo acadêmico é apresentado através dos olhos frustrados de Frank, e a realidade de Rita – apesar da presença do marido, amigos e família – é como um universo paralelo, trazido à tona como formação de contexto, uma vez que a personagem vai muito além das amarras ligadas ao bairro antigo.

Julie Walters é um presente. Não a toa, a atriz tirou das mãos de Meryl Streep o BAFTA de Melhor Atriz em 1984. Walters é naturalmente cativante e brilha no que é – até hoje – a melhor atuação de sua carreira. Ao lado de Caine, na época já veterano, a atriz segura a peteca no alto, formando uma das duplas de protagonistas mais interessantes já vistas. De um papel que a fez brilhar no teatro, Walters começou a trilhar seu caminho no cinema e é hoje uma das atrizes mais completas da área.

Rita abdica do nome, da família e de tudo o que julgava conhecer em prol de tornar-se literata. É um novo começo. Ao mergulhar nas obras clássicas, completamente livre, esta reforma-se, reconstrói-se e, enfim, readota o nome antigo, como se finalmente encontrasse paz naquela que é. Rita nos fisga desde a primeira cena e é inevitável se apaixonar. Na estudante, um pouquinho de todo mundo, identificação primária. Nos pegamos torcendo pela cabelereira, mas a verdade é que torcemos por nós mesmos. Torcemos pra que não caiamos no conformismo que bate a nossa porta diariamente e, ao vê-la triunfar, a vitória é um pouco nossa também.

 

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