Para Sempre Alice

Jovem, no auge da carreira e consagrada pela publicação de pilares da Linguística americana, Alice Howland (Julianne Moore) descobre ser portadora do Mal de Alzheimer. A segurança, obtida através de uma vida de conquistas, é substituída pelo medo constante do esquecer.

Ainda agarrando-se ao que resta da racionalidade, Alice tenta planejar os dias com a ajuda de aparelhos eletrônicos e qualquer pedaço de rotina que possa conservar. A família, americana até dizer chega, consiste de um marido carinhoso e três filhos, completamente diferentes entre si. A chegada da doença da matriarca desenterra problemas antigos e desencadeia uma série de conflitos na casa dos Howland.

Para Sempre Alice entrega muito menos do que promete, com um roteiro que navega pelas beiradas, sem nunca mergulhar completamente. O retrato da corrosão do intelecto por uma doença implacável requer profundidade e um tato não visto no filme de Glatzer e Westmoreland. É preciso fazer o espectador inquietar-se na cadeira, como Ron Howard fez com maestria em Uma Mente Brilhante. Com exceção de uma ou duas grandes cenas, a trama flui em um tom seguro, sem nunca expor-se completamente.

Julianne Moore encara a impotência com a mesma intensidade com que encarou o comando em Ensaio Sobre a Cegueira. Enquanto a mulher do doutor viu-se sair do ordinário rumo à grandeza em um mundo dos que não enxergam, Alice vê seus dias de glória ficarem para trás, tão turvos quanto a cegueira leitosa do cenário apocalíptico criado por Saramago. Apesar de não ser, nem de longe, seu melhor trabalho, é merecido o Oscar conquistado esse ano.

Do resto do elenco, além da protagonista, salva-se Alec Baldwin. O veterano tem uma performance cativante e funciona muito bem em tela ao lado de Moore. Kristen Stewart, que vem empenhando-se em romper com a falta de simpatia da critica, não apresenta nada além do comum. Os outros filhos dos Howland, interpretados por Hunter Parrish e Kate Bosworth quase nada agregam à trama.

Para Sempre Alice é frustrante. É um querer mais constante de um filme sem capacidade de entregar. É assistir a reprise de um jogo de futebol e torcer mesmo sabendo o placar final. Mas, fazer o que? Se um roteiro insosso é o que foi preciso para colocar a estatueta dourada nas mãos de Julianne Moore, que seja. Pechincha.

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