Os Descendentes

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Além de ter que lidar com o coma da esposa e uma decisão imobiliária capaz de afetar todo um país, Matt King (George Clooney) precisa aprender a manejar as duas filhas rebeldes. Os Descendentes, filme de Alexander Payne, é um ensaio sobre família e as adversidades da vida, das quais nem o mais belo dos cenários ajuda a escapar.

Herdeiro da realeza havaiana, Matt King tem no banco o suficiente pra viver uma vida tranquila, mas prefere dedicar-se ao Direito e criar as filhas sem mimos ou excessos. Sua esposa, em contraste, é adepta de esportes radicais e gosta da adrenalina e da imprevisibilidade. Um acidente aquático a coloca em coma e Matt precisa abrir mão da estabilidade para conseguir cuidar da burocracia hospitalar e das duas filhas.

Nas mãos de Alexander Payne, os conflitos – ou desastres – tornam-se secundários ao desenvolvimento dos personagens, a quem ele trata com um carinho visível. O Havaí torna-se personagem, o quarto de hospital torna-se personagem, e a trama evolui a partir das trocas e dos diálogos bem arquitetados, que constituem o amadurecimento individual e coletivo dessa família desgastada.

O roteiro, ganhador do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2012, é um mimo. Sem rodeios, a estória desenvolve-se de maneira orgânica e os arcos e reviravoltas são trazidos à tela como na vida: naturalmente. Payne, em sua escrita fluente, aproxima o espectador à trama cena após cena. É fácil identificar-se no desconforto na casa dos sogros, na falta de palavras ao lidar com uma criança que pode perder a mãe em breve e no pai que ainda não se acostumou a ouvir os filhos despejarem palavrões na sala de estar.

George Clooney despe-se das seguranças de galã para dar vida a um homem que precisa aplacar o caos de chinelo e bermuda. Os cabelos grisalhos e o rosto cansado marcam a transição do sedutor dos anos noventa para o respeitado ator cinquentenário, arriscando-se em novos projetos. Funciona. O elenco, em geral, é muito bem escolhido, com ênfase em Amara Miller e Shailene Woodley, que oscilam entre a morbidez de um quarto de hospital e as brincadeiras nas areias havaianas com uma habilidade além da pouca idade da dupla.

Os Descendentes colhe os louros de um roteiro excepcional e uma direção sóbria, que – somados à bela trilha sonora e locação – criam um filme tenro, feito pra guardar na memória. É preciso louvar aqueles que fazem do cinema uma reflexão, e isso, ah, meus caros, Payne tira de letra.

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