Sniper Americano

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Do cano da arma de Chris Kyle, saíram as balas responsáveis por matar cerca de cento e sessenta pessoas, tornando-o o franco atirador mais letal da história do exército americano. A lenda, como ficou conhecido na força de operações especiais da Marinha dos Estados Unidos, narrou suas memórias no livro Sniper Americano, levado às telas por Clint Eastwood.

Garoto do Texas, Chris Kyle ( Bradley Cooper) cresceu em uma família tradicional, ouvindo sermões do pai na mesa de almoço e sonhando em se tornar caubói. Ao se aproximar dos trinta, Kyle deixou os rodeios de lado para alistar-se à Marinha americana. O “vovô” nos campos de treinamento aos poucos destacou-se na artilharia e chegou ao cargo de franco atirador dos SEALS, time de elite da Marinha.

Ao longo de suas quatro viagens à zona de guerra, Kyle fez seu nome. Uma lenda em meio aos colegas de exército, viu a lista de vítimas aumentar a cada tour. O  atirador tem em sua conta cerca de cento e sessenta mortes, oficialmente, mas estima-se que o número real passe da casa dos duzentos. Aos olhos famintos dos americanos, o homem tornou-se um herói.

Clint Eastwood entrega aos Estados Unidos tudo o que os Estados Unidos querem assistir sobre os Estados Unidos. O galã americano que repete, como um mantra, que faria tudo pela pátria, pelo bem do país. A esposa e os filhos, apreensivos, esperam pelo retorno do homem da casa, que – claro – volta da guerra com sequelas psicológicas discutidas profusamente em meio aos lençóis da cama de casal. O inimigo é cruel, mata crianças com furadeiras e explode os bons e honrados yankees. Coitados.

Aos 84 anos, o diretor trouxa à mesa um debate que vai muito além das seis estatuetas douradas a que o filme concorre no dia 22 de Fevereiro. É filme pra se estudar a fundo o cinema e o estilo de vida americanos. O patriotismo sem pudores nos diálogos de Cooper é o mesmo que se alastra pelas ruas em cenas reais mostradas ao final da trama. A ficção como espelho provoca uma reflexão necessária.

Bradley Cooper entrega uma performance pra se libertar de David O. Russell, aleluia. Além da transformação física, o trabalho de voz é impressionante, colocando em tela um ator completamente diferente dos trabalhos anteriores. Fora da pose de galã, o queridinho de Hollywood mostra que é mais que um rosto bonito. Sienna Miller é outra bela surpresa. No papel da esposa de Kyle, Taya, a atriz entrega uma performance notável, infinitamente superior aos trabalhos recentes.

Entre tempestades de areia e alucinações em churrascos, Sniper Americano exemplifica o que o companheiro de premiações, Birdman, faz questão de criticar. É Hollywood em pura forma, americanizada, clichê e louvada em eventos de gala. Mas, fazer o que? Saindo das mãos de Clintwood, a gente reclama, mas não deixa de ver.

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