A Teoria de Tudo

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De desenho animado em Futurama à artista convidado em séries como The Big Bang Theory, Stephen Hawking é uma figura familiarizada com o mundo do entretenimento. A história de um dos maiores nomes da Física já foi tema de documentários, especiais e telefilmes. The Theory of Everything (“A Teoria de Tudo”, no Brasil) é mais um projeto baseado na vida do pensador.

Aluno promissor em Cambridge, Hawking (Eddie Redmayne) descobriu, no auge dos vinte e poucos anos, ser portador de Esclerose Lateral Amiotrófica, uma doença degenerativa. De acordo com os médicos, lhe restavam dois anos de vida. Desafiando todas as estimativas, Stephen não só sobreviveu, como produziu algumas das maiores obras da ciência contemporânea. 

A Teoria de Tudo retrata o cientista através dos anos em que passou casado com Jane Hawking (Felicity Jones), namorada dos tempos de estudante. Jane, que conheceu o teórico antes do diagnóstico, foi parte fundamental do processo de adaptação de Stephen à doença, dividindo-se entre dedicar-se ao marido e criar os filhos.

A ideia de traçar a cinebiografia por meio da relação do casal é interessante. No entanto, o roteiro, baseado em Travelling to Infinity, livro escrito por Jane, enfrenta dificuldades para sair da zona de conforto. Rasa, a abordagem de questões como sexo, gravidez e adultério deixa a desejar, criando a sensação de que a dupla vive em um paraíso inabalável onde qualquer problema é resolvido sem maiores conflitos. 

Quem vai ao cinema em busca de uma análise profunda sobre como o escritor lidou com um corpo que aos poucos lhe deixara pra trás pode se decepcionar. Construído majoritariamente através do ponto de vista de Jane, a trama não explora as lutas internas de Hawking. Ao invés disso, a narração foca na deterioração do relacionamento, nos romances extra-conjugais e no papel da esposa durante a ascensão do marido. 

Se há algo a ressaltar, é Eddie Redmayne. O ator caiu nas graças da crítica. Não sem motivo. A performance do britânico é daquelas pra levar na memória. Sem escorregar um minuto, Redmayne traz à tona um Hawking que não só faz jus ao original, como é infinitamente melhor que qualquer outra representação antes vista do físico. Figurinha confirmada na temporada de premiações.

James Marsh troca a irreverência que o consagrou em O Equilibrista pela segurança de um filme calculado. Tudo é bem trabalhado, da trilha sonora original à edição, porém, o diretor que brinca com a adrenalina em um dos documentários mais inquietantes dos últimos anos, deixa de lado a corda bamba e assume o volante de um utilitário (com air bag incluído).

Enquanto Hawking representa ir além do esperado, A Teoria de Tudo repousa no previsível. Emociona? Sim. Mas, pra quem tinha nas mãos o Universo, é uma pena que o produto final não seja mais do que algumas estrelas.

 

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