“La Sapienza”

  • Ano de Lançamento: 2014
  • País: França
  • Língua: Francês/Italiano
  • Título Original: “La Sapienza”
  • Diretor:  Eugène Green
  • Avaliação: A Arbez

Sair em viagem a fim de tentar resolver os problemas acumulados no cotidiano. É dessa premissa que partem dezenas de filmes e é dessa premissa que parte “La Sapienza”, novo filme do diretor Eugène Green.

Alexandre (Fabrizio Rongione), um arquiteto francês, frustra-se com as limitações impostas pelos desejos da arquitetura moderna. A esposa, Aliénor (Christelle Prot), arrasta-se pelos encontros de trabalho sem qualquer motivação. Os dois reúnem-se em jantares vazios e obrigações impostas por um casamento falido. Quando Alexandre resolve partir pela Itália em busca de inspiração nas obras de seus ídolos, Guarini e Borromini, Aliénor decide acompanha-lo e quebrar a rotina maçante do casal.

A primeira parada é a bucólica Stresa, uma pequena cidade à beira-mar. Lá, o casal esbarra com os irmãos Goffredo (Ludovico Succio) e Lavínia (Arianna Nastro), um futuro estudante de arquitetura e uma jovem enferma. A partir desse encontro, a viagem bifurca-se: Alexandre segue a viagem na companhia de Goffredo, mestre e aprendiz percorrendo os roteiros arquitetônicos italianos; Aliénor permanece em Stresa, atraída a compreender e acalentar a fragilidade de Lavínia.

A estética do filme de Green é primorosa. A composição simétrica, os personagens sempre em primeiro plano, no centro da tela, olhares voltados para o espectador. O trabalho de câmera, quase uma aula de cinema. O embasamento histórico é tão intrinsicamente ligado ao enredo que assume a forma de personagem.

As cidades italianas tiram o fôlego do espectador, assim como a fotografia muito bem conduzida pelo antigo parceiro do diretor, Raphaël O’Byrne. A trilha sonora veste as imagens como uma luva. Um filme produzido milimetricamente.

Além da construção imagética, “La Sapienza” conta com excelente elenco. A rigidez de Ronglone, contraposta à melancolia da belíssima Christelle Plot. Aliás, destaque para Prot, que prende os olhares do espectador cada vez que entra em cena. A aposta nos novatos Ludovico Succio e Arianna Nastro é inteligente, fresca e – por muitas vezes – capaz tanto de suavizar quanto de intensificar a interação entre a dupla de protagonistas.

Apesar da bela composição, “La Sapienza” tropeça no roteiro. A proposta inicial, relacionar a arquitetura, o aproveitamento do espaço e da luz, à sabedoria é interessante. Porém mal desenvolvida. A linha narrativa é inconstante e o filme alastra-se em diálogos longos recheados de clichês. A força da linguagem estética é diluída pela inconsistência da estória. O rigor com que são dirigidos os personagens é inicialmente incômodo e, seria digest se acompanhado por um bom texto, o que não acontece. Como diretor, Green entrega um belo filme, como roteirista, falha brutalmente.

“O que há além da beleza e da ciência?”, o filme propõe-se a responder. A beleza é inegavelmente vista em tela; a ciência está ali através da decomposição das obras dos grandes mestres barrocos. É. O que há, enfim, além da beleza e da ciência, Green? Talvez seja uma boa estória. 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s