“O Céu É de Verdade”

Baseado no best-seller homônimo, “O Céu é de Verdade” conta a história de um pastor que precisa lidar com as alegações do filho sobre ter visitado o paraíso.  O filme, estrelado por Greg Kinnear, tem direção de Randall Wallace, responsável por filmes como “Coração Valente” e “O Homem da Máscara de Ferro”.

Todd Burpo (Greg Kinnear) parece ter a vida perfeita: uma esposa atenciosa que dedica tardes a treinar um coral de altar, dois filhos tranquilos e o cargo de pastor na igreja que ele a família frequentam. A única exceção à perfeição da vida de Todd são os problemas financeiros que ele enfrenta, causados, em parte, pelo fato do pastor ser “bom demais” para cobrar pelos serviços que muitas vezes realiza enquanto faz as manobras necessárias para se virar entre seus cinco (isso mesmo, cinco) empregos.

Após um incidente, o pastor vê seu filho mais novo, Colton (Connor Corum), ser internado às pressas para uma cirurgia de emergência. Ao se recuperar do procedimento, a criança conversa com o pai sobre uma experiência que viveu durante a internação. Colton alega ter visitado o que, supostamente, seria o paraíso, inclusive pôde ver Jesus, anjos e animais. Ao ouvir o relato do filho, Burpo passa a repensar tudo aquilo em que acreditava.

O filme é uma alegoria religiosa preparada quase como um instrumento de evangelização. No roteiro, o que não falta são diálogos clichês sobre Deus, a fé e o amor. Os pequenos momentos em que a família ideal do pastor se desvirtua de sua excelência são forçados, como em uma cena em que a esposa decide quebrar um prato em um pseudo-surto-de-raiva ou quando a filha mais velha agride dois colegas de escola em defesa do irmão, deixando os pais – adivinhem? – orgulhosos.

O roteiro em si é uma bagunça. Um prólogo desnecessário, cenas aleatórias e contradições constantes. Uma hora o pastor é um beato completo, em outra é descrente e confuso, recorrendo a psicólogos e amigos próximos pra desabafar sobre suas dúvidas. O filme é clichê atrás de clichê, apelando pra cenas com uma carga dramática duvidosa em busca de lágrimas do espectador.

Os questionamentos que poderiam ter sido bem trabalhados durante o filme acabam por perder significância em meio à superficialidade com a qual são tratados. A direção é insípida, incapaz de reverter os erros do roteiro. O elenco, que conta com nomes como Greg Kinnear e Margo Martindale, tem um nível razoável, mas é prejudicado por conta dos diálogos triviais.

“O Céu É de Verdade” é um filme de nicho, mas isso não é desculpa para tantas limitações. Talvez coubesse melhor na televisão, quem sabe. Se há um céu? Eu não sei… Mas com certeza há muitas maneiras melhores de se construir um filme.  

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