“Questão de Tempo”

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Responsável por assinar roteiros como “Um Lugar Chamado Notting Hill” e “Quatro Casamentos e um Funeral”, além da direção de filmes como “Simplesmente Amor”, o diretor e roteirista neozelandês Richard Curtis se aventura mais uma vez no gênero da comédia romântica em “Questão de Tempo”.

Tim (Domhnall Gleeson), um desajeitado rapaz sem muita sorte com as garotas, é chamado pelo pai (Bill Nighy) na manhã seguinte a uma frustrada festa de Reveillón. O que parece uma típica conversa entre pai e filho cursa um rumo completamente diferente quando seu pai revela que os homens da família têm a capacidade de viajar no tempo. Tudo o que ele tem de fazer é entrar em um local escuro, cerrar os punhos e imaginar o momento para onde quer voltar.

Após uma reação óbvia de incredulidade, Tim resolve testar seus supostos poderes e voltar à festa da noite passada. Ao abrir os olhos, está de volta ao clima agitado de comemoração, e disposto a consertar os erros que o frustraram no passado. Uma vez convencido, volta ao presente e é questionado por seu pai sobre como pretende usar sua nova habilidade. A resposta é simples e direta: “para conseguir uma garota”. A esta altura, o espectador já sabe que está diante de uma deliciosa comédia romântica a la Curtis.

O pedido do rapaz só é atendido quando, após mudar-se para Londres a fim de trabalhar em uma firma de advocacia, conhece Mary, uma simpática americana que lida com publicação de livros. Com a possibilidade de se redimir dos erros bobos de início de relacionamento, Tim usa suas vantagens para conquistar a americana.

Desde a simpática família de Tim, formada por figuras como a irmã mais nova Kit Kat (Lydia Wilson) e o ingênuo Tio D (Richard Cordery), até seu rabugento companheiro de casa em Londres (Tom Hollander); o filme apresenta personagens deliciosos, que fazem com que o roteiro, que poderia cair no clichê de filme-sessão-da-tarde, siga o caminho oposto, e envolva o espectador durante cada minuto de suas duas horas de duração.

A atuação de Gleeson é a melhor de sua carreira. O público se apaixona instantaneamente por Tim ao vê-lo em sua primeira cena, com uma auto-estima desgastada e um pôster de Amélie Poulain na parede do quarto. Bill Nighy encabeça o excelente elenco, no papel do divertido pai de Tim, responsável por equilibrar a moral da trama e o toque de ironia e humor tipicamente ingleses, construindo alguns dos melhores momentos do filme.

Apesar da temática tantas vezes trabalhada no cinema, “Questão de Tempo” adota uma abordagem natural sobre a viagem temporal. Acompanhamos o divertido protagonista entrar em armários escuros e voltar para momentos como a primeira noite com a garota dos seus sonhos e ajudar seu colega de quarto a vigorar no trabalho. A delícia do filme é descobrir – ao lado de Tim – o valor dos momentos mais ordinários, e atingir com ele a maturidade necessária para se desapegar do “como teria sido”.

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