Mês: outubro 2013

“Aconteceu em Woodstock”

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  • meuip.coAno de Lançamento: 2009
  • País: Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título Original: Taking Woodstock 
  • Diretor: Ang Lee
  • Avaliação: Pra assistir com pipoca

Elliot Teichberg (Demetri Martin) é um jovem artista com a cabeça em Nova Iorque, que se vê na obrigação de voltar a morar com os pais quando o hotel da família, El Monaco, é ameaçado de confisco pelas dívidas não pagas. Quando um grande festival de música é cancelado na cidade vizinha, ele decide trazê-lo pra sua cidade natal, a fim de incentivar o turismo local. O que não esperava é a chegada de quase meio milhão de hippies ao pequeno subúrbio de White Lake. 

O filme é baseado no livro Taking Woodstock: A True Story of a Riot, a Concert and a Life, escrito por Elliot Tiber e Tom Monte, e conta a história do festival de Woodstock, que aconteceu em 1969.

Quem assiste ao filme à espera de um relato histórico e mais aprofundado do festival acaba se decepcionando. Aconteceu em Woodstock é uma comédia leve, guiada sob a perspectiva de Teichberg, que vive um momento de descoberta sexual e os conflitos causados pela situação familiar complicada, filho de um pai incomunicativo e uma mãe obcecada por dinheiro, ele se vê preso ao hotel e incapaz de ir atrás da carreira de designer e pintor na grade Nova Iorque.

Vale ressaltar as atuações de Imelda Staunton, a caricata mãe de Elliot, Sonia, e Liev Schreiber, que dá a vida à Vilma, um travesti ex-marinha que se compromete com a segurança do hotel durante o festival. Além da divertida trupe de teatro que vive no galpão do hotel.

Com um roteiro promissor, o filme trata de temas polêmicos como homossexualidade e antissemitismo com uma veia cômica interessante. É uma janela alternativa para o epicentro do movimento contracultura que tomou conta dos Estados Unidos nas décadas de 60 e 70.

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“Kill Your Darlings”

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Kill Your Darlings conta a história do escritor americano Allen Ginsberg (Daniel Radcliffe), um dos percursores do movimento Beat na década de 50. Durante sua estadia na Columbia University, Ginsberg conhece Lucian Carr (Dane DeHaan), um jovem sedutor que o apresenta ao mundo boêmio e extravagante dos escritores da região.

Logo, Ginbersg se vê absorto naquele universo paralelo à realidade que vivia em sua casa, onde uma mãe com problemas psicológicos acabara de ser internada pelo pai, o também escritor Louis Ginsberg (David Cross). Nesse novo meio, Allen é apresentado aos futuros reverenciados beatniks Jack Kerouac (Jack Huston) e William Burroughs (Ben Foster).

O estudante vê nas novas companhias um potencial criativo surpreendente, e a vontade de romper com os padrões clássicos de escrita impostos na época e fielmente defendidos pelos seus professores universitários. Inspirados por autores como Walt Whitman, os jovens decidem então criar seu próprio movimento vanguardista: o Beat. 

A trama do filme foca, entretanto, na relação de Allen e Carr, este que se revela problemático e assombrado pelos traumas do passado e sua história conturbada com David Krammerer (David Cross), um escritor frustrado que se mostra obcecado por ele. O desfecho dessa combinação de arte, drogas e obsessão é fatal. 

Este trabalho de Radcliffe é considerado o mais sério e desafiador de sua carreira, quiçá uma manobra ousada de quebrar com a imagem de Harry Potter que carrega nos ombros (aliás, na sala de cinema só se ouvia ‘Harry Potter’ na primeira cena de Daniel). As atuações apresentadas no filme são dignas do elenco de primeiro escalão, em especial DeHaan e Foster. 

O diretor novato John Krokidas consegue construir um belo filme e abordar temas como o homossexualismo e as drogas no início da década de 40 na medida certa. Não é o filme indicado para quem busca uma cinebiografia tradicional, mas é uma maneira interessante de se apresentar a história do autor. 

“Joe”

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Joe (Nicolas Cage) é um ex-presidiário que trabalha como madeireiro em uma pequena cidade do Texas. Carregando o peso dos acontecimentos do passado, ele tenta levar uma vida longe dos problemas causados por seu comportamento violento e abuso de álcool. 

Em uma de suas expedições aos bosques da cidade, Joe conhece Gary (Tye Sheridan), um garoto de 15 anos que lhe pede por uma chance de trabalhar sob seus serviços. Surpreso com seu entusiasmo, o madeireiro concorda em contratá-lo. O que Joe vem a descobrir logo depois é que o menino procurava uma maneira de ajudar a sustentar sua família, comandada por um pai alcoólatra e abusivo. 

O bruto ex-presidiário torna-se então um improvável exemplo para o garoto, e o menino, por sua vez, é responsável por cativar o antes inerte Joe. As cenas que retratam o pai de Gary são intensas e capazes de fazer o espectador se remexer de desconforto na poltrona 

O filme é baseado no livro homônimo de Larry Brown e marca o retorno de Nicolas Cage aos bons olhos dos críticos após uma sequência de filmes como “O Pacto”, “Caça às Bruxas” e “Fúria Sobre Rodas”, que lhe renderam comentários desastrosos. Sua performance foi aplaudida durante a exibição do filme no Festival de Veneza. Vale ressaltar também o trabalho excepcional de Sheridan, conhecido por seu papel em “A Árvore da Vida” de Terrence Malick.

“Alabama Monroe”


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  • Ano de lançamento: 2013
  • País: Bélgica
  • Língua: Flamengo
  • Título Original: Alabama Monroe (The Broken Circle Breakdown)
  • Diretor: Felix Van Groeningen
  • Avaliação: Pega a estatueta!

A tatuadora Elise (Veerle Baetense o músico Didier (Johan Heldenbergh) fomam um casal de personalidades distintas, aparentemente fadado ao término, mas, se veem intensamente apaixonados pouco tempo após se conhecerem. Quando Elise engravida, os dois passam morar juntos na casa de fazenda que reformaram.

A família leva uma vida feliz e tranquila até Maybelle (Nell Cattrysse), a filha de seis anos do casal, ser diagnosticada com câncer. A jornada a fim de combater a doença é avassaladora e, apesar do companheirismo dos dois, desgasta a relação do casal.

Se engana quem vê o filme esperando encontrar mais um drama baseado na luta contra o câncer. O enredo explora temas como religião versus ciência, política e depressão. A linha de edição descontínua mescla períodos diferentes da história, navegando entre cenas leves e mais fortes, o que permite ao espectador um intervalo entre os momentos mais dramáticos. Vale ressaltar também as performances da banda de bluegrass, gênero musical americano, de Elise e Didier. As músicas se mesclam à narrativa, contando a história do casal.

Alabama Monroe foi o meu filme favorito no Festival do Rio 2014. Com a capacidade de tocar quem assiste tanto em seus momentos de carga dramática forte até às cenas descontraídas de amigos tocando ao redor de uma fogueira, o filme prende o público durante seus 111 minutos. A fotografia, a escolha do diretor em filmar os números musicais sem playback e a performance apresentada pelos atores são excepcionais. É o candidato belga ao Oscar 2014, tendo levado prêmios como melhor roteiro e melhor atriz no Festival de Tribeca e prêmio do público na mostra Panorama no Festival de Berlim 2013.

Segue abaixo um vídeo de uma das passagens musicais do filme:

“Geografia Humana”


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  • Ano de lançamento: 2013
  • País: França
  • Língua: Francês
  • Título Original: Geographie Humaine
  • Diretor: Claire Simon
  • Avaliação: Pra levantar da cadeira

O documentário se passa na mais movimentada estação de trem da Europa, e a terceira maior do mundo, Gare Du Nord, na França. 

A diretora Claire Simon e seu amigo, o francês de origem argelina, Simon Merabet, passam dias observando a rotina da estação e acompanhando as histórias das milhares de pessoas que por ela passam diariamente. As entrevistas fornecem o ponto de vista da população francesa sobre a realidade do país.

O documentário é quase um estudo antropológico. Muitas das pessoas entrevistadas são imigrantes de países como Cuba, Mali, índia e Tunísia. Durante seus relatos, os entrevistados abordam assuntos como o preconceito racial, os conflitos de identidade causados pela mistura de povos e a situação complicada do mercado de trabalho. 

O filme pode perder o espectador pela falta de uma linha de roteiro um pouco melhor desenvolvida. O documentário é construído por entrevista atrás de entrevista, durante pouco menos de duas horas. 

A diretora Claire Simon dividiu sua experiência e pesquisa na estação na criação de dois filmes, Geografia Humana e a ficção Gare Du Nord, ambos lançados em 2013.